domingo, 23 de janeiro de 2011

O Marinheiro e o Resgate

Escrevi o texto abaixo, publicado no Jornal "O Estado de São Paulo" em 25/09/1977. Numa madrugada, o navio brasileiro Frotasantos seguia viagem rumo ao Japão, fez o resgate de 97 vietnamitas que estavam em um pequeno barco pesqueiro à deriva no Mar da China fugindo das consequências da guerra do Vietnã. 

À bordo deste navio, um jovem Oficial da Marinha Mercante, seguia rumo ao seu sonho de conhecer o Japão.

Este resgate e a convivência de dez dias com estas pessoas fragilizadas pelos horrores da guerra e pelas incertezas da operação de fuga,  marcaram a minha vida.  Prossegui minha viagem ao Japão, retornando no mesmo navio ao Brasil. Aos 25 anos fui mais uma vez para o Japão em intercâmbio técnico-cientifico e aos 32 anos fui pela terceira vez, agora casado e com esposa, onde vivemos por quase 4 anos, e tivemos nossa primeira filha que nasceu no Hospital Católico de Tóquio na véspera do Natal de 1989.
     
Eis o texto:

“A noite caia calma e tudo transcorria de acordo com a rotina estabelecida a bordo do navio durante as travessias. Os membros da tripulação de serviço nesta hora (18h30) tiravam seus "quartos" – divisão de serviços a bordo onde o tripulante trabalha 4 horas e descansa 8 horas – e os demais descansavam ou assistiam a um programa de TV antigo gravado em vídeo cassete. Um problema de máquinas obrigou-nos a “boiar” e os reparos durariam cerca de duas horas. A esta hora eu estava preparando-me para dormir, pois entraria em serviço à meia-noite. Uma chuva fina começava a cair lá fora, depois ficou um pouco mais intensa e o breu logo tomou conta da noite. O mar já não estava tão calmo, formações de ondas faziam com que o navio jogasse ainda mais.

Acordei bastante assustado e sobressaltado com barulhos anormais lá fora. Eram 20h10 e percebi que o navio continuava boiando, então levantei-me e fui até a borda do convés, onde todos falavam sobre náufragos que pediam socorro. Uma luz piscava ao longe em feixes descompassados, aproximando-se vagarosamente da popa do nosso navio. Gritos e gemidos começaram a serem ouvidos e aos poucos, com a iluminação projetada pelos holofotes, uma pequena embarcação surge sob nossos olhares descortinando-nos um quadro impressionante.

 Homens, mulheres, crianças e velhos, todos maltrapilhos, molhados até os ossos, dentro do pequeno barco, cujo convés não podia ser visualizado, pois toda a sua extensão estava tomada por gente em pé, deitada, estirada. Lançados os cabos de amarração e mantido o barco junto ao navio, um tripulante desceu até o pé da escada de portaló do navio que fora arriada e pediu, em inglês, que o líder do grupo subisse a bordo para falar com o comandante do navio. Foi então que soubemos que eram todos fugitivos do Vietnã.

O líder, um homem de uns 50 anos, responsável pelo planejamento da fuga juntamente com oito companheiros que financiaram a operação, pediu ajuda ao comandante, pois estavam sem alimentos, sem água e sem combustível, e a 300 milhas náuticas de qualquer localidade em terra firme.  Eles estavam tentando seguir para as Filipinas, mas se perderam. O nosso navio era o terceiro a quem eles pediam socorro, pois os dois primeiros, apesar de passarem a menos de uma milha de distância do barco, não pararam, ignorando o sinal de pedido de socorro. Os refugiados não conseguiram identificar a nacionalidade desses navios. 

Na impossibilidade de trazê-los para bordo utilizando a escala de portaló por causa do forte balanço do mar, foram colocadas escadas de parapeito e redes com cabos trançados em forma de quadrados de aproximadamente trinta centímetros cada lado. Três tripulantes desceram a bordo da pequena embarcação e auxiliaram a subida do grupo composto de 97 pessoas. Algumas estavam tão fracas que não tinham forças sequer para manter-se em pé – estavam há cinco dias em alto mar e entre eles haviam três mulheres grávidas e algumas pessoas doentes. Após todos subiram a bordo do navio, o barco foi deixado à deriva, juntamente com duas metralhadoras e um fuzil, armas que carregavam para garantirem a fuga.

Após todos serem alimentados com biscoitos, comida leve, chá e água, e alguns serem atendidos na enfermaria, começamos a fazer os contatos com eles em inglês e francês. Soubemos, então, que eram, em sua maioria, residentes de Saigon e que haviam deixado o Vietnã durante uma madrugada da localidade de Ver Lau. A fuga tinha sido planejada durante dois meses, em absoluto segredo, e todos se deslocaram até o local combinado para o embarque em pequenos grupos para não despertarem suspeitas dos vietcongs.

Inicialmente eles pretendiam seguir para a Malásia ou Cingapura, países mais fáceis de serem alcançados, mas o barco sofreu um defeito no motor e ficou à deriva, deslocando-se para o lado das ilhas Borneo e Filipinas. Como estavam ficando sem provisões e algumas pessoas já apresentavam sinais de doença, fizeram um pacto entre eles de que, caso começassem a morrer, afundariam o barco e todos morreriam juntos.

O grupo é bastante homogêneo, formado, em sua maioria, por famílias que jamais aceitaram o regime comunista e que, por isso, eram vítimas de saques, prisões e mortes indiscriminadas. Muitas dessas famílias estavam incompletas, apenas com a mãe e os filhos, porque o pai tinha sido executado ou preso.

Tentamos não fazer muitas perguntas sobre o Vietnã e sobre dias que antecederam a fuga, pois isso os emocionava muito.

Todos nós ficamos impressionados com a coragem e a decisão do grupo, especialmente com a decisão de afundarem o barco caso eles não resistissem por mais tempo em alto mar. Quando todos já estavam recuperados, reuniram-se sob uma imagem de Cristo impressa na antecapa de uma Bíblia que lhe oferecemos, rezaram e choraram, agradecendo por terem sido salvos. A maioria é budista, mas havia muitos católicos entre eles.

Durante a viagem até Hong Kong e os dez dias de quarentena que ficamos com eles, falamos muito do Brasil, sobre o Pelé, futebol, carnaval e café. Ao chegarem a Hong Kong, muitas crianças vietnamitas já falavam estas e outras palavrinhas simples em português e chamavam alguns tripulantes pelo nome. Chamavam-me de “gutty”, o nome com que me apresentei a eles. Antes do desembarque de todos em Hong Kong alguns afirmaram que pretendiam, se o governo brasileiro permitisse, emigrar para o Brasil, onde acreditavam, poderiam ter uma vida com liberdade e trabalho em um país pacífico!  

Até a próxima.

A Tragédia e o Marinheiro

As tragédias provocadas pelas enchentes na Serra Fluminense e nas cidades no norte de Santa Catarina nos dão uma lição de solidariedade dos doadores e voluntários que trabalham de forma incansável, socorrendo e  levando esperança às vitimas. Também percebemos um início de coordenação entre os poderes constituídos locais, estaduais e federais e torcemos para que ações conjuntas e bem conduzidas ajudem a minimizar os efeitos dessa devastação. Agora, esperarmos quatro anos – como anunciou durante a semana o ministro Mercadante da Ciência & Tecnologia - para termos um sistema de informações sobre as condições climáticas para, só então, serem disparados alarmes e demais ações preventivas em áreas de riscos, é um absurdo!

Sr. Ministro, com o avanço da tecnologia da informação e comunicação, mesmo os sistemas mais complexos para aplicações civis e militares, são arquitetados, desenvolvidos e implantados de forma modular, permitindo que suas funcionalidades básicas estejam operacionais em poucos meses. O que é um grande desafio para V. Exa. e equipe, apresenta-se como mais uma oportunidade para o nosso país alcançar a modernização através da adoção de novas tecnologias e de novos métodos de gestão com a aplicação inteligente e honesta dos recursos públicos. O que precisamos é replicarmos na gestão pública, a revolução que ocorreu nas três ultimas décadas na gestão do setor privado.

Eu tinha quatorze anos, morava em Belo Horizonte, trabalhava de dia no Banco e estudava à noite. Era considerado pelos meus colegas e chefes, um dos mecanógrafos mais rápidos da história do banco e desta curta profissão existente antes do advento dos computadores, que se consistia em fazer os lançamentos em uma ficha alaranjada de uns 30 cm de largura por 40 cm de comprimento, onde eram lançadas todas as movimentações das contas dos clientes a partir de uma pilha de fichas pequenas manuscritas e um lápis grosso bicolor, de um lado azul e do outro vermelho para ticar ok e colocar um xis em vermelho onde apresentasse algum problema, tais como data, valores, saldos, entre outros.

Transcorria o glorioso e inesquecível ano de 1970 para o futebol brasileiro. Enquanto comemorávamos o tricampeonato mundial de futebol no México com aquela que foi a melhor seleção de todos os tempos, no Japão, em Suita, Osaka, inaugurava-se a EXPO-70, com o tema “Progresso e Harmonia”, apresentando pavilhões de vários países do mundo, mas destacando a inauguração da cidade científica de Tsukuba e sua Universidade futurista com 46 laboratórios de pesquisas científicas básicas e aplicadas. 

Foi quando li o prospecto sobre a EXPO-70 que decidi conhecer o Japão!  E, por causa desta decisão, começa então a história de outra profissão curta que vim a exercer entre os 21 aos 22 anos: a de oficial da marinha mercante, o caminho que encontrei para fazer minha primeira jornada ao Japão.

Experimentei tragédias pessoais e percorri caminhos muito difíceis entre 1968 até 1976. Em 1977 chego ao Japão pela primeira vez.  Foi a minha primeira jornada planejada. E valeu a pena!

Nas saídas e chegadas aos portos, a beleza das paisagens e do encontro com novas culturas, danças, gastronomia, garotas, histórias e estórias. Durante as travessias, a sensação indescritível de paz e plenitude, tal qual imortalizada no filme “Titanic” na cena do Leonardo DiCaprio com a Kate Winslet, sensação que eu já tinha provado ao projetar-me totalmente à frente da proa do navio, com o vento soprando forte no meu rosto e a visão paradisíaca de peixinhos voadores, golfinhos e toninhas saltando e acompanhando o movimento do navio. À noite, era de tirar o fôlego quando eu olhava para cima, pois um tapete de estrelas reluzentes cobria o céu como se, no breu do oceano, todas elas estivessem olhando para mim.  Era uma jornada vivenciada a cada passo e um sonho a caminho da realização!   Às vezes, olhando as estrelas, me lembrava das palavras de Cervantes: “Até a morte, tudo é vida!” Mas para mim, com todo aquele universo maravilhoso e envolvente, não poderia haver morte, e, mesmo que houvesse, depois dela teria que ter vida, pois somos feitos da poeira das estrelas, organizadas em elementos químicos de acordo com uma lei maior sob a qual tudo e todos estamos subordinados.

No próximo post publico um texto que escrevi logo após o resgate de 97 vietnamitas no Mar da China durante esta jornada a caminho do Japão.

domingo, 16 de janeiro de 2011

O Líder e a Tragédia

Hoje é domingo, acordo mais tarde e ainda meio sonolento, pois ontem fomos assistir ao mais novo desenho da Disney em 3D, Enrolados, por sinal muito bom, e aproveitamos para dar uma esticada para molhar a palavra e beliscar algo no Baumgarten, enquanto comentávamos as qualidades do filme e a revolução da imagem 3D.

Consegui dormir bem esta noite, o que nem sempre acontece em razão da rinite alérgica, e após rezar e tomar o café da manhã abro o portal de notícias.  E lá está estampada a manchete: “NÚMERO DE MORTOS NA REGIÃO SERRANA DO RJ JÁ PASSA DE 600”. Clico e leio o texto e retorno à página principal onde a manchete parece encolhida, em letras minúsculas, no meio de tantos anúncios de comércio eletrônico, manchetes esportivas e televisivas, enfim, sem nenhum efeito especial que possa indicar o tamanho da tragédia e nos ajudar a sair da letargia coletiva com relação a elas.

Será real que já entramos na segunda década do século 21? Será real que já estamos vivendo o crepúsculo da Era da Informação com a substituição dos PCs pelos tablets? Será real que já estamos  no limiar da “Era da Energia e do Clima” como descreve bem o Tom Friedman no excelente “Quente, Plano e Lotado”?

Porque em nosso país ainda não temos um processo de pensar estrategicamente em longo prazo, como os que existem nos países adiantados?  Quando iniciaremos o pensar sistêmico e integrado sobre o Brasil de 2020? 2030? 2040? 2050? Quantas tragédias futuras este processo poderá evitar?

O tempo é um conceito relativo, portanto vivenciado de maneira diferente por cada indivíduo. Mas será que estamos revivendo a tragédia grega? Este acontecimento que se repete todos os anos no verão brasileiro, quase sempre nas mesmas cidades, poderia ter sido magistralmente escrito por Sófocles, Eurípedes ou Ésquilo, onde o herói trágico - as vítimas - luta contra um fator transcendental - as chuvas e os desmoronamentos previsíveis das encostas e as cheias dos rios avolumando-se em seus leitos naturais tomados de lixo e de construções em área de risco -  e sempre acaba com um final trágico e sofrendo todas as conseqüências por tentar controlar ou mudar o poderoso destino?

Será mesmo destino? Mas, e Deus, não é brasileiro? Deus é muito, muito brasileiro, na verdade Deus é mais de 192 milhões de vezes brasileiro, segundo o último censo do IBGE e  mais, muito muito mais. Nós brasileiros é que, mesmo depois de 510 anos medidos no tempo dos homens, ainda estamos distantes da planta original que Deus nos oferece diuturnamente e que vem impressa no sentimento, cérebro, coração e DNA, na capacidade de sentir, crescer e mudar a si próprio e o mundo em sua volta.

Segundo Ermance Dufaux, “o sentimento é a maior conquista evolutiva do espírito.” Do espírito humano, portanto para nós, brasileiros, espíritos humanos em evolução, já passa do tempo de deflagrarmos o processo educativo que nos conduzirá aos elevados sentimentos associados à alta consciência e ao conhecimento que pode ser aplicado para o bem comum da nossa sociedade cada vez mais conectada e em processo de transformação.

A transformação de um país inicia-se com a transformação interior de cada um dos seus nacionais baseada em valores novos. Só quando estes novos valores são interiorizados e atingem o campo dos sentimentos, é que ocorre a verdadeira mudança, iniciando-se um longo processo transformador e regenerador.

A transformação não é um evento, é uma longa jornada!

E é durante a jornada da transformação, em seus acontecimentos mais dramáticos e muitas vezes inevitáveis, que os líderes são necessários. Nossos líderes encontram-se em suas posições privilegiadas, mas não interiorizam os novos valores que os façam verdadeiramente servir. Servir ao próximo, não servir-se do.  Não faltam exemplos de líderes que serviram e ensinaram a servir. Jesus, o maior deles. Temos Sathya Sai Baba, Gandhi, Luther King, Madre Teresa, Irmã Dulce, D. Zilda Arns, Betinho, D. Helder Câmara e muitos outros.

É fundamental medirmos o tamanho da tragédia e declararmos nossa definitiva inaceitação e insatisfação com as mortes que ocorreram. São 600 pessoas. 600 corações. 600 mentes e 600 sonhos. Uma só morte nestas circunstâncias já deveria ser motivo para alerta e para se colocar em cena um plano de ações preventivas para as situações similares.  Dez mortes já seria uma tragédia!

Mais de 600 mortes, não sei que palavra da língua portuguesa pode ser aplicada. Desastre? Catástrofe? Caos? Calamidade? Leviandade? Ou Indiferença?  Quantas vidas humanas foram perdidas! 

Catástrofes naturais vêm provocando tragédias em vários países e devemos nos preparar, pois a tendência é aumentar globalmente. São fenômenos naturais que estão acima do poder humano. Em outra oportunidade discutiremos esta afirmação que pode não ser totalmente verdadeira.   Em uma análise simples, fica fácil distinguir uma sociedade desenvolvida quando se contabiliza a “quantidade de mortos” como conseqüência de desastres naturais.  Doze mortos nas enchentes na Austrália, uns poucos mortos nas nevascas nos Estados Unidos contrastando com as estatísticas nefastas das tragédias no  Haiti, no Brasil ou na Indonésia. Que Brasil queremos construir?

O Brasil sonha em ser uma sociedade moderna, conectada, e se ensaia passos tímidos para uma verdadeira transformação. Será que os atores sendo escalados estudaram o texto justo? Grandes eventos mundiais serão realizados no país em 2014 e em 2016. Toda vez que marcamos uma data para um evento ela chega, e chega rápido. Não está passando da hora de se decretar “a morte da indiferença, da ignorância, da ganância e do egoísmo” através da Educação e da gestão honesta e competente dos recursos públicos e privados necessários para a parte física e mais visível da transformação, que é a infra estrutura?

Qualquer cidadão ou cidadã minimamente incluído e devidamente educado, e principalmente, os Líderes da nação em suas diversas posições – midiáticas, comunitárias, da academia, do poder legislativo municipais estaduais e federal, líderes em posições no poder executivo, no judiciário, nas ONGs, nas Empresas, nas Associações de Classe e nas outras organizações da sociedade civil, como a OAB e a ABI à frente de todos, deveriam saber que os níveis de riscos em todas as categorias – ambientais, sociais, econômicos, geopolíticos e tecnológicos – vêm aumentando globalmente.

De acordo com o “Global Risk Report” do “World Economic Forum”, existe uma defasagem entre a taxa de evolução de riscos no mundo e a capacidade de governos, empresas e organizações não-governamentais de lidar com os mesmos. Os custos dos riscos não gerenciados de forma adequada, e que se transformam em crises, são extremamente elevados em termos de vidas humanas e perdas materiais.

A capacidade dos governos, empresas e ONGs de confrontar riscos antes que se transformem em crises, depende fundamentalmente de preparação e de planejamento.

Bravatas, improvisações, pseudoplanos e “liberação de verba emergencial”, são soluções simplistas e improvisadas para problemas complexos, assim como a negação dos riscos tendem a agravar exponencialmente o impacto das crises transformando-as em verdadeiras tragédias, catástrofes, caos.

No penúltimo réveillon a tragédia foi em Angra. Em abril do ano passado foi no Morro do Bumba em  Niterói. Neste janeiro nas cidades da Região Serrana. Onde e quando será a próxima?  E os líderes que têm o poder da transformação sistêmica, estão aprendendo as lições destes acontecimentos e as aplicarão na prevenção das tragédias vindouras?  

Toda esta incapacidade, esta falta de preparo, de ações preventivas, de inteligência e de planejamento a serviço da segurança da sociedade está como o pano de fundo desta manchete neste belo domingo de sol. Estas mortes são o retrato da nossa realidade!  Vamos nos manter letárgicos e indiferentes ou vamos agir para mudar este estado das coisas começando com nossa inaceitação e insatisfação?

Eu nasci em Minas Gerais e vivi durante dezoito anos no Rio de Janeiro, o que equivale a mais de 1/3 da minha vida. Conheci minha esposa na praia, apresentada por um amigo de faculdade, no mesmo dia que nos conhecemos fomos ao bar Mistura Fina na Lagoa; seis anos depois nos casamos no Outeiro da Glória e recebemos nosso filho caçula na maternidade da Clínica Laranjeiras oito anos depois. Nossa filha mais velha já tinha chegado na véspera do natal de 1989 quando morávamos em Tóquio.  Já estive, impulsionado pela minha hiperatividade e por força do meu trabalho, dos projetos de consultoria e dos estudos, ou a lazer, em mais de 50 países, e não conheço cidade mais linda do que a do Rio de Janeiro, com suas belezas naturais e sua extensão tão acessível seja na região serrana, na região dos lagos ou na baía de Angra.

Não deveriam o homem, e a mulher, cuidarem com mais diligência dos recursos que a natureza lhes oferece para seu sustento, procriação e evolução?

Não basta mais dar ao povo pão, carnaval, Ronaldinho e BBB-11, esta excrescência inútil que induz nossa juventude à busca do dinheiro fácil, da negação dos valores morais, familiares e cristãos. Tudo por mais poder para a Globo e para o Bial preencher o seu ego maracanãnico, ele que é um grande jornalista e escritor. Sem citarmos o tremendo mico do Silvio de Abreu deixando a Clara livre no final da Passione. As leis do Gérson e a mais recente do Romário estão ainda tão impregnadas em todos?

Solidariedade e respeito à vida devem ser as lições de mais esta tragédia. Que estas 600 mortes sejam lembradas como a última tragédia (grega) da nossa atávica tragédia brasileira!

Até a próxima. 

segunda-feira, 3 de janeiro de 2011

A Formiga e o Líder

Diz a fábula que a formiguinha dá várias voltas após sair do formigueiro até encontrar uma folhinha verde para fazer o seu estoque de comida para o inverno. Na maioria das vezes a folhinha estava mais próxima, mas pelo seu sistema de direcionamento a formiguinha não consegue andar em uma linha reta quando poderia economizar energia principalmente no transporte da folhinha para casa.

Neste início de 2011 -  ano em que assume um novo governo e de grandes expectativas para o Brasil quanto ao atual ciclo de crescimento prenunciado que deverá estender-se pelo menos até 2017, quando teremos que fazer o balanço dos impactos e resultados pós Copa2014 e Olimpíadas2016 -  a lembrança desta fábula pode nos ajudar a entender a importância de economizar energia para o bem da sustentabilidade deste ciclo e do papel dos novos líderes do país nesta importante etapa da vida brasileira.

Imaginemos que na saída do formigueiro tenha um ponto de observação alto e privilegiado onde uma formiga se posiciona e passa a fornecer informações sobre a localização das folhinhas verdes. Neste caso, quanta energia seria economizada e quanto seria aumentada a produtividade no armazenamento de folhinhas verdes para o inverno.

Um líder, via de regra, ocupa posição em ponto de observação alto e privilegiado e deve fazer desta vantagem um motivo para servir.

O objetivo deste blog é provocar reflexões em um mundo que é novo do ponto de vista das inovações tecnológicas, mas que se repete ao longo da história quando colocamos uma lente nas dimensões social, moral e intelectual de individuos e organizações.

Líderes têm desempenhado papéis muito importantes ao longo da história, mas neste século 21, devido ao alargamento da distância entre a velocidade da evolução tecnológica e da capacidade das organizações humanas de autogestão e sustentabilidade estática e dinâmica, este papel ganha ainda mais importância.

Capacidade de criar e sustentar redes de conexões visíveis e ocultas e equilibrio entre os quoficientes intelectual (QI), emocional (QE) e espiritual (QS) são fatores fundamentais para este novo Líder cumprir seu papel dentro das organizações civis, militares e governamentais.

Até a próxima.