domingo, 27 de fevereiro de 2011

O Conhecimento e as Conexões

Quando inaugurei este blog com o primeiro post no dia 3 de janeiro com o texto “A Formiga e o Líder”, declarei que o objetivo era provocar reflexões em um mundo que é novo pelas inovações tecnológicas, mas que se repete ao longo da história quando olhamos as dimensões social, moral e intelectual de indivíduos e organizações.

Elaborando um pouco mais sobre este objetivo, penso que o mundo se repete principalmente nos erros que os indivíduos insistem em cometer, seja no âmbito de sua vida pessoal ou na sua vida profissional – o que se reflete nas organizações onde vivem e atuam: famílias, escolas, igrejas, empresas, órgãos públicos, administração das cidades e dos países.

Penso que a causa principal da recorrência nos mesmos erros é a ganância por dinheiro.  Este princípio amplamente divulgado com a ascensão do capitalismo global – composto de redes eletrônicas de fluxos de finanças e de informação – de que ganhar dinheiro deve ter precedência sobre todos os outros valores e crenças, e que a meta da economia global é a de elevar ao máximo a riqueza e o poder de suas elites. É esta predominância que gera os desequilíbrios  - como vimos no estouro da crise do subprime nos Estados Unidos em setembro de 2008 – contribuindo para criar ou manter bolsões de pobreza e de excluídos em um ambiente econômico global que degrada a vida, tanto no sentido social quanto ecológico.

O fenômeno que se contrapõe a esta realidade, é o crescimento das comunidades e projetos sustentáveis que criam redes ecológicas de fluxos de energia e matéria e que procuram elevar ao máximo a sustentabilidade da teia da vida. Podemos citar como exemplos os projetos do carro elétrico, das usinas termo-solares, as eólicas, e os projetos auto-sustentáveis para as microrregiões da Amazônia, entre outros.   Neste sentido, o que assistimos hoje é a intensificação do conflito dos valores associados a estes dois fenômenos, o que o torna  decisivo para o futuro da humanidade: de um lado os valores que sustentam o capitalismo global - intrinsecamente selvagem e, do outro lado, os valores que sustentam a vida, a sobrevivência e o bem-estar da humanidade como um todo.

Nos seis primeiros posts procurei difundir conceitos e tecer paralelos e conexões entre acontecimentos no Brasil ( tragédia da chuva na serra fluminense e em Santa Catarina ), no mundo ( Queda do Mubarak no Egito, Resgate de vietnamitas no mar da China, Nelson Mandela – Mandiba - e o resgate da auto-estima na África do Sul), descortinando aos poucos meu próprio perfil e meu processo de pensar e agir, quer seja como observador, ator coadjuvante ou protagonista, discorrendo sobre minhas vivências, sobre causas, conseqüências e conteúdos, e tentando identificar a rede e suas conexões. Recebi vários comentários dos amigos, familiares, colegas e  seguidores por email e no próprio espaço do blog e  quero tornar este espaço mais interativo ampliando esta rede de conexões cujos valores compartilhados sejam aqueles da sustentabilidade da vida com qualidade para todos.

A formiga, o líder, a tragédia, o marinheiro, o resgate, a globalização e o conhecimento estão inextricavelmente interligados por redes complexas.  Segundo Fritjof Capra em “As Conexões Ocultas – ciência para uma vida sustentável”, descobertas científicas mostram que todas as formas de vida – desde as células mais primitivas até as sociedades, suas empresas e Estados nacionais, até mesmo sua economia global, organizam-se segundo o mesmo padrão e os mesmos princípios básicos: o padrão em rede. Neste livro, Capra desenvolve uma compreensão sistêmica e unificada que integra as dimensões biológica, cognitiva e social da vida  em todos os seus níveis.
  
Esta é uma das áreas de interesse que estudo e quero divulgar neste espaço.

A outra área de interesse são as últimas descobertas sobre a estrutura cerebral e as conexões entre o quociente de inteligência ( Q.I. ) – que mede a capacidade de nosso processo cognitivo, de pensamento lógico e desempenho mental – muito valorizado na cultura ocidental; o quociente emocional ou inteligência emocional (Q.E.) – que engloba cinco dimensões: auto-motivação, auto-conhecimento, empatia, sociabilidade e capacidade de lidar com as emoções de outras pessoas;  e o quociente espiritual ou inteligência espiritual ( Q.S. ) – terceira inteligência ou “Ponto de Deus” – é um tipo de inteligência que torna as pessoas mais criativas e ligadas à necessidade de buscar um propósito maior para a vida. Chamada também de poder transformador, destrava o cérebro para experiências espirituais e ajuda a desenvolver valores éticos e crenças de sustentabilidade da vida terrena e transcendental.

Neste longo caminho, espero dar minha pequena contribuição - através de você leitor - para a evolução do sistema educacional e do processo de aquisição de conhecimento e do pensamento sistêmico sobre o Brasil que queremos e de como construí-lo, deixando um país melhor para as novas gerações.

Desejo um bom QI QE QS e uma excelente Rede de Conexões para você, caro leitor amigo. Até a próxima. 

domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Globalização e o Conhecimento

Percebemos ao longo da história que todas as grandes potências elegeram fatores de diferenciação competitiva e os utilizaram em prol da riqueza e do bem estar do seu povo.

Até a idade média, possuir terras e recursos naturais eram os indicadores de riqueza das nações e disputados em guerras de conquista por território e escravos, pois representavam grande vantagem. A partir da idade média, a moeda, com o seu sistema de lastro e reservas, passa a ser um fator preponderante pela sua mobilidade e liquidez. No período da revolução industrial,  a qualificação dos trabalhadores passa a ser também relevante para a competitividade.

No mundo global, é impressionante como “conhecimento e informação” se transformaram em  forças da mudança e vêm atuando na dinâmica das nações, em seus sistemas geopolíticos, suas economias, suas culturas, e como determinarão o nível do emprego, da renda e a qualidade de vida das populações nas próximas décadas. Hoje, estas forças representam uma importante vantagem competitiva para países, empresas, cidades e indivíduos.

Os processos e sistemas de “Inteligência de Negócios”, que contempla a extração de dados operacionais fragmentados, o enriquecimento e tratamento para transformá-los em informação valiosa e confiável e a disponibilização dos indicadores de desempenho em painéis executivos, são realidade na maioria das grandes corporações.

Acabo de chegar de uma viagem de negócios de dez dias nos Estados Unidos, e cada vez que visitamos países desenvolvidos, somos levados a fazer comparações com a situação relativa do Brasil. Nosso país faz parte do G-20 – o grupo das vinte maiores economias do mundo – que respondem por mais de 80% do PIB mundial, porém nosso IDH – Indice do Desenvolvimento Humano – nos coloca na 73ª. posição entre os 169 países considerados no relatório de 2010. E a educação de baixa qualidade destaca-se como nosso principal problema, mais até do que saúde e renda, para atingirmos o equilíbrio entre tamanho da economia e a posição neste ranking.

Informação é ouro. Tudo hoje depende de informação e conhecimento. Da inovação ao desenvolvimento tecnológico, do crescimento econômico à melhor distribuição das riquezas com a conseqüente melhoria da qualidade de vida, do aumento da responsabilidade internacional do Brasil ao seu posicionamento estratégico equilibrado dentro deste novo cenário de forças mundiais.

E a forma de adquirir e aplicar conhecimento e informação é através da educação.

As nações mais competitivas serão aquelas que  através de sistemas educacionais de qualidade gerarem e aplicarem conhecimento para criar uma economia inteligente: que usa a informação como vantagem comparativa.

As corporações mais competitivas serão aquelas que desenvolverem capacidade analítica e de previsibilidade utilizando informação para se manterem um passo à frente dos concorrentes.

As cidades mais organizadas e harmoniosas serão aquelas que utilizarem intensamente informação para definir o planejamento urbano, racionalizar o trânsito, economizar energia, melhorar o transporte público, reduzir as perdas por vazamento nas redes de abastecimento de água, entre outros.

Para os indivíduos, conhecimento e informação são fatores críticos para o sucesso profissional e equilíbrio na vida pessoal.

Conhecimento começa com liderança no pensamento. O Brasil deve capturar esta oportunidade oferecida pelo ciclo de crescimento econômico para planejar e executar um desenvolvimento sustentável através da melhoria da educação para aquisição e aplicação do conhecimento com a proteção adequada à nossa cultura, aos nossos mercados e à nossa soberania. A informação a serviço da melhor qualidade de vida, da melhoria das nossas caóticas cidades, da maior competitividade estrutural e global.

Conhecimento e informação são as forças da mudança que o Brasil deve adotar para  transformar o sistema educacional, levar à  adoção ampla de sistemas de informações gerenciais estratégicas, da aquisição, aplicação e compartilhamento do conhecimento para fechar o imenso abismo que ainda existe entre o tamanho da nossa economia e a nossa posição relativa do IDH. Para tanto deveríamos fixar como objetivos estratégicos e permanentes o atingimento da posição número 5 entre o ranking das nações de maior PIB e de IDH - qualidade de vida -  até o ano 2030.

Como uma curiosidade, em 2012, estima-se que a população mundial atingirá a casa dos 8 bilhões de pessoas, 6 bilhões de aparelhos celulares e 2.5 bilhões de cidadãos ainda sem  conta bancária. No Brasil, 193 milhões de pessoas, 200 milhões de aparelhos celulares e mais de 40% dos brasileiros acima de 16 anos ainda sem uma conta bancária ou poupança.

Até a próxima. 

domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Resgate e a Globalização

A globalização das relações comerciais, financeiras, sociais, políticas e culturais entre todos os povos e países é uma realidade tornada possível pelo contínuo desenvolvimento dos meios de transportes e das telecomunicações nas ultimas décadas.

Mas o fenômeno que consolida este processo e causa o maior impacto na vida dos indivíduos em toda a história das civilizações, desde que o homo sapiens migrou da África há cerca de 250 mil anos para popular os demais continentes, responde pelo nome de internet.

Com a possibilidade de cada ser humano estar conectado à rede e ter seu próprio endereço digital,  seja ele um beduíno de uma tribo do deserto ou um alto executivo da Faria Lima, nos nivelam e nos transformam a todos em cidadãos do século 21.  É como um resgate da dignidade intrínseca necessária para que se possa viver com liberdade, fazendo as próprias escolhas, com acesso livre e transparente às informações e conteúdos sobre os acontecimentos em todos os quadrantes do planeta, em todas as suas dimensões. É como poder voltar a ser um nômade, como nossos ancestrais o foram depois de deixarem a África em direção ao desconhecido, só que agora um nômade moderno, com celular ou tablet nas mãos e navegando no facebook ou twitter!

Francis Fukuyama em sua linha de abordagem da História - em o excelente O Fim da História –  preconizou que a  humanidade esteja atingindo o equilíbrio pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica com  a prevalência do poder supremo dos Estados Unidos da América, mas deixou de considerar o que o seu colega japonês Kenichi Ohmae  teorizou em O Fim do Estado-Nação, com a nova geopolítica de um mundo sem fronteiras.

A recente onda de protestos iniciados na Tunísia e que se espalhou rapidamente pelos países do norte da África e do Oriente Médio, com destaque para a batalha campal diária que assistimos pela televisão  na Praça Tahrir no centro da cidade do Cairo entre a população egípcia e a guarda do famigerado e corrupto ditador Osni Mubarak, prova o conceito de que a internet não é só um fenômeno social, mas pode caracterizar-se por ser uma possante arma política contra as ditaduras e os Estados-Nação, dando lugar a blocos regionais e num futuro não muito distante, a um governo supremo para todo o planeta Terra.  Este pode ser o grande  passo rumo ao equilíbrio e ao fim das guerras ainda neste século 21. E a ONU tem um papel extremamente relevante neste processo.

Em 1977 fiz um resgate de 97 vietnamitas no mar da China.  E hoje quero homenagear o responsável por um dos resgates mais espetaculares do nosso tempo: 43 milhões de sul-africanos resgatados do apartheid, da discriminação, da miséria e da injustiça social.  Pudemos assistir em julho do ano passado, quando todas as TVs do mundo voltaram-se para o Mundial de Futebol, o orgulho dos sul-africanos com o seu país, com o processo de construção nacional a que todos estão empenhados, e com o seu líder maior: Nelson Mandela!  Muitas vezes VIVA Nelson Madela!!!

Os sul-africanos aproveitaram a oportunidade do grande evento mundial e mostraram ao mundo um novo país, além de servirem de farol e motivação para toda a África negra. E quando os holofotes se apagaram no Soccer City em 11 de julho de 2010 encerrando a 19ª. Copa do Mundo de Futebol, com a Espanha levantando o caneco pela primeira vez na história, a África do Sul deixou para o mundo uma imagem positiva.

E, depois da jabulani e da vuvuzela, os holofotes estão voltados para o Brasil do samba, do futebol e do pré-sal. Na noite de domingo dia 11 de julho de 2014 no Maracanã, depois da entrega da taça ao capitão da seleção próxima campeã do mundo, poderemos concluir um balanço de como nosso país tratou este desafio e esta oportunidade única de resgatar o seu orgulho e dar uma demonstração de maturidade, competência, e capacidade de gestão como nação em todos os setores.  É chegada a hora de nós brasileiros resgatarmos o Brasil. E este processo se inicia com o resgate de nós próprios! Por nós mesmos. Pela educação e pela busca do conhecimento. E principalmente pela consciência.  A nova consciência de “ser – amar – criar e servir” que aos poucos vai superando a do egoísmo do ter, na maioria das vezes sem fazer, sem amar e sem ser. 

Felizmente a globalização e a internet estão aí - para apequenar os partidários do velho Brasil  - e para nos permitir que, todos juntos, mulheres e homens de bem, consigamos resgatar este nosso querido país de 192 milhões de pessoas, para o lado do bem-comum e, então, teremos orgulho de dizer em voz alta, em todas as línguas traduzíveis no google, para que todo o planeta ouça: eu sou brasileiro, estava lá e fiz a minha parte!

Até a Próxima.