domingo, 24 de abril de 2011

Bhagavan Sri Sathya Sai Baba

Namastê!

Com a riqueza de datas comemorativas e acontecimentos no Brasil e no Mundo neste feriadão, foi difícil decidir o que postar no blog.

Na quinta feira 21 de abril eu já havia preparado o texto sobre Ouro Preto e os Inconfidentes.

Sexta feira 22 de abril, dia da Paixão e Morte de Nosso Senhor Jesus Cristo, coincidiu com “O Dia da Terra” e com “O Descobrimento do Brasil”, temas de forte poder literário.

Mas é neste domingo de Páscoa, data máxima da Cristandade, quando Jesus traz a boa-nova de que a vida vence a morte, que nos despedimos do nosso Swami, Bhagavan Sri Sathya Sai Baba, Avatar de Shiva, que deixou hoje seu corpo físico aos 85 anos na sua cidade natal de Puttaparthi no Sul da Índia.

Entre 1835 e 1918 viveu como Sai Baba de Shirdi na mesma Índia, cumprindo a mesma missão divina. Conclusa esta segunda encarnação entre 1926 e 2011 como Sathya Sai Baba, oremos para que seu retorno seja breve e, nascendo novamente na Índia ou outro país – quisera que fosse no Brasil - que continue sua missão neste mundo tão carente de amor, paz, solidariedade, sabedoria e equilíbrio.

O próprio Sathya Sai Baba escreveu:
“Vim para acender a chama do Amor em seus corações, para que ela brilhe dia a dia com mais esplendor.
Não vim em benefício de alguma religião em particular.
Não vim em nenhuma missão de publicidade para qualquer seita, credo ou causa, nem vim reunir seguidores para nenhuma doutrina.
Não tenho planos para atrair discípulos ou devotos ao meu rebanho ou a algum outro rebanho.
Vim para falar-lhes desta Fé Unitária Universal, deste Princípio Divino, desde Caminho de Amor, desta Ação de Amor, deste Dever de Amor, desta Obrigação de Amor.”

Om Ram Ramaya!

Até a próxima.

Ouro Preto, santuário cívico do Brasil

Nesta quinta feira 21 de abril, dia da comemoração anual de Tiradentes, Patrono Cívico do Brasil, duzentos e vinte e dois anos depois de participarem da Inconfidência Mineira, foram sepultados no Memorial, ao lado de outros treze inconfidentes, os restos mortais de José Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota, trazidos da África onde morreram no degredo.

Eu nasci no interior de Minas Gerais onde vivi até os 12 anos de idade. Em 1968 mudamos para Belo Horizonte, onde morei por quatro anos antes de deixar Minas para conhecer o mundo. Como todo “mineiro da gema”, li o Grande Sertão : Veredas de João Guimarães Rosa e participei de peças de teatro no Clube Social onde declamei poesias dos Inconfidentes. Uma das que mais gostava era “À Dona Bárbara Heliodora” de Inácio José de Alvarenga Peixoto, poeta e politico nascido no Rio de Janeiro em 1744, preso na Ilha das Cobras em 1789, onde escreveu este belo poema para sua esposa:
“Bárbara bela, do Norte estrela,
Que o meu destino Sabes guiar,
De ti ausente Triste somente
As horas passo A suspirar.”

Gostava também de recitar Tomás Antônio Gonzaga, jurista, poeta e ativista político luso-brasileiro. Apaixonado por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, escreveu para sua amada o poema “Marília de Dirceu”.
“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheiro gado;
De tosco trato, d´expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”

Minas são muitas, e Ouro Preto é o santuário cívico do Brasil.

Ainda se comentava pelas ruelas de Vila Rica o ato heroico perpetrado pelo fazendeiro e tropeiro Felipe dos Santos Freire em 1720 contra a Coroa Portuguesa pela cobrança extorsiva de impostos e o controle violento do ciclo de extração e transporte do ouro retirado das minas gerais.

Na Europa, a Revolução Francesa com seus ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade”, transformaria definitivamente as estruturas do poder político do ocidente.   Nos Estados Unidos da América, a Declaração de Independência das 13 Colônias redigida por Thomas Jefferson em 1776, faria disparar os primeiros tiros da guerra vencida contra a Inglaterra em 1783, com a ajuda da França e da Espanha.

Na Vila Rica de Ouro Preto, também inspirados nos mais nobres ideais de justiça e liberdade, os vinte e quatro inconfidentes liderados pelo Alferes Tiradentes em 1789, acabaram mortos, presos ou degredados na África pela Coroa Portuguesa, depois da traição de Joaquim Silvério dos Reis.

Mas os exemplos deixados por eles perduram até hoje no coração de Minas e do Brasil!

Até a próxima.

domingo, 17 de abril de 2011

O primeiro McDonalds na China

Era para ser apenas uma viagem de férias da família, mas nossos amigos chineses que estudavam comigo na Universidade de Waseda em Tóquio, fizeram questão de informar nosso roteiro a oficiais do Partido Comunista Chinês, que nos recepcionaram como convidados de honra durante a semana que passamos naquele país.  Embarcamos em Narita para Shanghai, onde permanecemos durante três dias visitando monumentos e testemunhando o início das grandes transformações por que passa até os dias atuais esta fantástica cidade asiática.

Nossa dificuldade era conseguir que os restaurantes, cuja comida vinha boiando em óleo, preparassem um simples “purê de batata” para a nossa pequena Hannah, então com nove meses de idade, pois as “papinhas” trazidas do Japão acabaram rapidamente pela impossibilidade de mantê-las na geladeira.

Bagagens e mamadeiras prontas, enfiamos nossa filhota no “baby´s bag” amarrado em revezamento hora no tórax da Rosaly, hora no meu, e lá vamos nós!  Na quinta feira pela manhã tomamos o voo para Beijing, onde visitamos a magnífica Praça da Paz Celestial, local onde um ano antes tinha ocorrido o brutal massacre de mais de 800 estudantes que protestavam por liberdade e democracia. Foi lá que aquele jovem, cuja identidade e paradeiro são desconhecidos até hoje, parou a fileira de tanques desafiando-os de maneira inacreditável e não deixando que prosseguissem.

 Depois de visitarmos o antigo Palácio de Verão do Imperador Xianfeng, tirarmos fotos nos “Jardins da Perfeita Claridade”, e visitarmos a Grande Muralha, em tom de brincadeira e respondendo a uma pergunta dos nossos anfitriões sobre que tipo de comida gostaria de experimentar, a Rosaly disse que gostaria de comer “batata frita do McDonalds”, sem sabermos que no dia seguinte seria inaugurado o primeiro McDonalds na China.

A partir daí começa uma das mais incríveis aventuras das nossas vidas, pois um pouco mais do meio-dia, estávamos lá sentados em uma das primeiras 500 mesas do McDonalds, comendo a batata frita mais famosa do mundo.

Soubemos que, na noite anterior, muitos operários trabalharam até tarde para que tudo estivesse em ordem para esta inauguração na cidade de Shenzhen, a recém-inaugurada Zona Econômica Especial na província de Guangdong, próximo à fronteira com Hong Kong, onde teve inicio a abertura chinesa para o mundo.

Naquele longínquo domingo oito de outubro de 1990, mesmo com um carro preto batedor do Partido Comunista Chinês à frente do nosso carro também preto para abrir caminho, parecia impossível passarmos por aquela multidão de mais de 50.000 chineses a pé e com bicicletas nas imensas filas que se formaram na praça desde a madrugada. Era um domingo de sol, mas soprava um vento frio que nos obrigou a levar agasalhos, principalmente para a pequena Hannah, que, com seus quatro dentinhos já aparentes, mastigavam com prazer as batatinhas fritas, sob o olhar curioso de milhares de chineses naquele templo do fast food americano que conquistava definitivamente o paladar da Ásia. Hoje, somente na China, são 960 lojas do McDonalds com mais de 60.000 empregados.

Vinte e um anos depois, é inacreditável o quanto a China se desenvolveu, tornando-se a segunda maior potência econômica do planeta, em ritmo de tornar-se a primeira em cerca de vinte anos.

Nossa Presidente Dilma Rousseff acaba de retornar de uma viagem de seis dias à China, onde participou da cúpula dos BRICS, discutiu e assinou vários acordos e parcerias comerciais e investimentos e visitou o parque dos Guerreiros de Terracota na cidade de Xian.

Que os exemplos chineses na área da economia e desenvolvimento sustentado, sirvam de inspiração para o Brasil.

Até a próxima.

domingo, 10 de abril de 2011

Massacre em Escola no Rio: as conexões ocultas

Cena 1:
Quinta feira, 7 de Abril de 2011, 8 h da manhã. Os 400 alunos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro do Realengo no Rio de Janeiro, tinham acabado de entrar nas salas de aula quando um ex-aluno, Wellington Menezes, de 23 anos, entra com 2 revólveres, muita munição e carregadores automáticos, dispara mais de 60 tiros, mata 12 adolescentes com idades entre 12 a 15 anos, fere outros 13, sendo que 2 estão em estado grave, e, cercado por dois policiais, se mata.

Seu perfil no Orkut: nenhum amigo, nenhum depoimento, nenhum recado.

E disse Jesus aos discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.”

Jornalistas, políticos, policiais, psicólogos e psiquiatras têm debatido o “perfil do assassino” e concluído que este tipo de barbárie é impossível de ser previsto ou impedido, pois se trata de “caso isolado” perpetrado por um sociopata.

Discordo destas conclusões. Caso nosso país tivesse uma boa estrutura educacional e uma rede de proteção social que acompanhasse e protegesse as famílias desajustadas, além de contar com um modelo de segurança pública que, sem invadir a privacidade, pudesse identificar indivíduos com comportamentos de risco, este e os futuros casos similares poderiam ser evitados.

Cena 2:
Quase todos os dias, em muitos gabinetes, restaurantes, hotéis, clubes, flats e fazendas, aqueles servidores públicos – do poder judiciário, políticos com e sem mandato e funcionários com “cargos de confiança” no executivo, no legislativo, nas agências e nas estatais – que são contratados e pagos para formular e implementar políticas públicas nas esferas federal, estadual e municipal e que deveriam dar exemplo de probidade, criando infraestrutura e mecanismos das redes de proteção para a sociedade, gastam grande parte do seu tempo e inteligência na defesa dos interesses próprios, privados e escusos. A ganância de muitos destes não tem limites.
   
Quantas conexões ocultas entre as cenas 1 e 2 correlacionando a qualidade da administração pública com os riscos de tragédias de toda ordem em uma sociedade!

Até a próxima.

domingo, 3 de abril de 2011

Una noche en Quito

Quito, capital do Equador com cerca de 2 milhões de habitantes, está a 35 km ao sul da linha do Equador e a 2.850m acima do nível do mar. Cidade linda, com um centro histórico de tirar o fôlego – declarado patrimônio histórico da humanidade – tem uma das catedrais mais antigas e majestosas da América Latina!

Muito bem cuidada, arborizada  e com um povo acolhedor, lembra um pouco Belo Horizonte quando passamos pela sua também Av. Amazonas, tendo os Andes ao lado, bem maior e mais imponente, mas não mais lindo do que nossa magnífica serra do Curral, que emoldura a capital mineira.

Nesta quarta feira, depois de um dia intenso de trabalho, resolvemos seguir diretamente do escritório por volta das 21h para um restaurante clássico e tradicional magnificamente instalado na esquina das Calles Roca y Nueve de Octubre, o “Rincón de Francia”.

Com 34 anos de funcionamento ininterrupto, este belíssimo restaurante fundado pelo francês residente no Equador Gilles Blain, que recebeu vários prêmios de qualidade, já foi visitado por príncipes, chefes de estado, ministros, empresários e celebridades dos mundos esportivo e musical que visitam a cidade.

Com um serviço de primeiríssima qualidade, fomos recebidos pelo Maitre que fez questão de trazer até nossa mesa, o chef Mario Aragon, amigo de nossa anfitriã em Quito, D. Verónica Costales, também uma chef formada pelo Le Cordon Bleu de Paris.

Como entrada, pangora gratinada, uma espécie de molusco, e foie gras com torradas. O vinho um Château Bertinerie Cru Reserve tinto 2005. Como prato principal langostines au cognac e sesos a la manteguilla negra. De sobremesa, chocolat foundant com sorbet de baunilla, uma deliciosa harmonização.

Confirmando o prestígio de D.Verónica, vieram até nossa mesa, depois do próprio chef, o filho do proprietário, Gilles Jr e o maestro da casa, Don Daniel Realpe, que é um fã da música brasileira.

Ao saber que eu era brasileiro, fez questão de tocar Tom, Vinicius, Aquarela do Brasil de Ari Barroso e  Brasileirinho.  Depois uma sequência de músicas equatorianas e boleros inesquecíveis na voz de D. Verónica em dueto com o maestro: Sonbras, um pasillo equatoriano, Son três palabras, Besame Mucho, Contigo Aprendi, e outros boleros clássicos. A esta altura, eu já estava na metade do meu Cohiba puro de Havana acompanhado de um Jerez. Preço por pessoa abaixo dos US$ 100.

Na quinta feira tínhamos reunião importante as 8 h da manhã. Assim, pouco depois da meia-noite eu já estava de volta ao Swissôtel, com sua imponente recepção cheia de enormes vasos de rosas vermelhas com mais de 70 centímetros de cabo e 15 cm de diâmetro, enchendo o ambiente com um cheiro arrebatador. O Amrita Spa estava fechando sua piscina coberta em imponente estilo romano.

Esta foi uma noite agradável em Quito.

Em uma próxima oportunidade escreverei sobre este fantástico país Equador, suas belezas naturais, sua história, sua gente e seu atual momento político com a consulta popular programada para o dia 7 de maio e a Revolución Ciudadana iniciada e liderada pelo Presidente Rafael Correa Delgado desde janeiro de 2007 no poder.

Até a próxima.

Zé Alencar: o adeus a um grande brasileiro

Nesta semana o Brasil perdeu um grande brasileiro, o empresário e político José Alencar Gomes da Silva.

Mineiro de convicções, sua vida deixou um legado importante para a economia – construiu uma das maiores empresas brasileiras do setor têxtil com atuação no exterior -, para a política – foi decisiva sua participação como vice para a vitória de Lula em 2002, reduzindo a resistência do mundo empresarial - e, principalmente para o povo brasileiro, para quem deixou o exemplo de força moral e de amor à vida.

Tive a honra de conhecer o Dr. José Alencar em 1986 quando cursei o ciclo de estudos de política e estratégia da ADESG - Associação dos Diplomados da Escola Superior de Guerra em Belo Horizonte. Como presidente da FIEMG - Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais, Zé Alencar proferiu a palestra magna de abertura do ciclo de estudos, discorrendo sobre a economia brasileira, o Plano Cruzado, e combatendo veementemente o que ele chamava já naquela época de “juros escorchantes” cobrados pelos bancos no Brasil e pelos organismos internacionais que “emprestavam” dinheiro ao nosso país.

Nos últimos 25 anos, quando pude votar em Belo Horizonte, fui um eleitor convicto e desejei a ascensão do Dr. José Alencar como verdadeiro representante da alma mineira no cenário político nacional.

Minha homenagem a este fazedor de coisas, amante da política e da liberdade, que não sabia fingir, que dizia “uai” de forma natural, e que deixou uma bela história de vida com marca registrada. Viveu com simplicidade, pureza, humildade e modéstia, coragem e bravura, fidalguia e elegância.

Que sua vida inspire a muitos brasileiros e que suas cinzas repousem nas montanhas das Minas Gerais reluzindo na névoa da manhã entre o cântico dos pássaros e o mugir do gado.

Espero que o Governo Dilma faça uma devida homenagem ao Zé Alencar, mineiro como ela, batalhando de forma firme e sincera para tirar do Brasil a posição de país com os juros mais altos do mundo, trazendo-o para um patamar decente de nação justa e cidadã.  

Vá com Deus Zé.

Até a próxima.

sábado, 2 de abril de 2011

Mães, a maior rede de amor do universo!

Mães que servem,
Mães que oram,
Mães que lutam,
Mães que choram,
Mães que amamentam seus filhos,
São anjos da Nossa Senhora, a Mãe perfeita de Jesus!

Mães de coragem,
Que pedem Justiça pela morte de seus filhos inocentes nas mãos da bestialidade de policiais militares, de milícias, de traficantes e de corruptos gananciosos foras da Lei,
Que acampam na Plaza de Mayo em Buenos Aires,
Pedindo Justiça e prisão para os generais ditadores!

Mães que, com o seu imenso amor
Alimentam esta rede universal de conexões das forças do bem que está transformando o mundo!

Marcy, Mãe e Avó, Incansável Guerreira do Senhor! Nós te amamos e te agradecemos pela infinita generosidade de servir sempre, sem nada almejar em troca. Salve o 2 de Abril! Feliz Aniversário!

Até a próxima.