segunda-feira, 23 de maio de 2011

Os telômeros e a idade biológica

Quem não gostaria de saber quanto tempo de vida ainda tem? Agora é possível. Através de um exame de sangue são medidos os comprimentos dos telômeros - as extremidades dos cromossomos - que quanto mais longos indicam uma idade biológica mais jovem.

O médico russo Dr. Alexandre Bogomoletz sustenta que um homem aos 70 anos é ainda jovem, pois viveu apenas metade da sua vida natural. A tese usa como base o fato de a duração da vida de um mamífero ser de dez a doze vezes o tempo que o animal leva para atingir a maturidade, então, a duração normal da existência humana deveria estar entre 200 e 250 anos.

Aos 114 anos, Vó Quita, moradora de Carangola na Zona da Mata de Minas Gerais, acaba de entrar para o livro dos recordes como a mulher mais velha do mundo.

Na cultura japonesa, um homem só está pronto para assumir posições de grandes responsabilidades, aos 55 anos de idade. Antes disso, é considerado como tendo “pouca experiência de vida”.

Com a expectativa de vida chegando aos 80 anos, podemos ter uma vida econômica e intelectualmente produtiva por mais de 50 anos, possibilitando o exercício de mais de uma profissão ou carreira ao longo da vida, principalmente para aqueles que gostam de diferentes áreas do conhecimento e têm dificuldade em escolher uma única carreira, normalmente especializada.

Na sociedade pós-industrial, segundo a teoria do sociólogo, professor e autor italiano Domenico De Masi, o ócio criativo deverá ser prática comum permitindo maior interação entre trabalho, entretenimento e estudo com horários cada vez mais flexíveis no ambiente da empresa ou fora dela, podendo até mesmo ser desenvolvidas em casa.

Eduardo Cupaiolo, no seu excelente “Contrate Preguiçosos” da MC Editora (ISBN 85-7325-410-6) nos conduz através de seus 34 artigos publicados ao longo de vários meses no website da Peopleside, apresentando uma alternativa inteligente para que o “homus corporativus” não viva somente para os negócios, conseguindo ter um equilíbrio nas diversas dimensões da vida.

Isto tudo tem seu lado bom. Cheque periodicamente o comprimento dos seus telômeros, mas não se descuide dos males socioambientais como violência e poluição que podem anular todo seu esforço de retardar o envelhecimento celular.

Até a próxima.

domingo, 15 de maio de 2011

Caminhos para o futuro

Na obra Admirável Mundo Novo de 1932, Aldous Huxley descreve uma sociedade fictícia de um mundo futurista e sombrio onde os seres humanos são gerados em tubos de ensaio e condicionados para obedecerem padrões de uma vida mecanizada, deixando ao selvagem a alternativa: viver a utopia ou permanecer no primitivismo.

Pois bem, esta encruzilhada da ficção pode tornar-se realidade. Cerca de 1,6 bilhão de pessoas ainda vivem sem energia elétrica. Ontem, o cantor Michel Martelly tomou posse como o 56º presidente do Haiti sob um apagão, precisando das luzes dos fotógrafos para assinar o termo da posse. Caso estes novos consumidores fossem atendidos a partir de uma rede elétrica alimentada por carvão, gás natural ou petróleo, a poluição e as alterações climáticas seriam devastadoras para o planeta.

Não é mais possível sustentar o crescimento econômico com base nos combustíveis fósseis - os mesmos utilizados desde a Revolução Industrial do século XVIII - assim a raça humana tem que buscar alternativas. Países do primeiro mundo, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, já há algum tempo não aceitam mais indústrias altamente poluentes como mineração, petróleo e siderurgia em seus territórios, e vêm empurrando estas usinas para países como o Brasil, China, Índia, Rússia e Turquia.

Nesta nova Era da Energia e do Clima, o verde é um valor que precisa ser cada vez mais preservado. Só que uma revolução verde está longe de acontecer represada pelos gigantescos interesses econômicos em disputa e pelo eficiente lobby das corporações beneficiadas que são mais poderosas do que muitos estados nacionais.

No caminho para o futuro, uma cruzada contra os combustíveis fósseis e a favor da energia limpa e renovável é a melhor alternativa. O barco MS Turanor, concebido pelo jovem suíço Raphael Domjan no projeto Planetsolar, completa metade de sua viagem de volta ao mundo aportando em Noumea na Nova Caledônia. www.planetsolar.org Construído em Kiel na Alemanha, em 27 de setembro do ano passado este catamarã silencioso e não poluente, iniciou sua viagem no porto de Monte Carlo usando apenas a energia solar como fonte de energia para a propulsão dos seus dois motores.

Na hipótese da vida ficar inviabilizada em nosso planeta, temos a alternativa rumo ao espaço.  Um projeto da NASA http://mars.jpl.nasa.gov/odyssey/index.cfm em estágio avançado, faz da colonização da Lua, ponto de apoio para a exploração de Marte, o planeta vermelho. A fase de preparação iniciou-se há cinquenta anos com os módulos experimentais na Antárctica.

Até 2018, será instalada a base de pesquisa científica em “Oceanus Procellarum” no solo lunar, pois apresenta facilidade de comunicação contínua com a terra, é plano e tem poucas pedras, o que ajuda na instalação das estufas climatizadas a serem preenchidas com plantas terrestres.

Em 2023 esta base lunar será colonizada pelos humanos e terá início a instalação de estufas em solo marciano. Enquanto a viagem da Terra à Lua leva três dias, a viagem a Marte levará seis meses.

Pelos dólares alocados nos projetos de colonização e exploração espacial comparados com os dólares disponíveis para o desenvolvimento da energia limpa e renovável, que preservaria a qualidade de vida no planeta e atenderia à demanda por energia elétrica do povo do Haiti e dos 1,6 bilhão de pessoas sem este recurso no mundo, podemos inferir que as nações e corporações líderes preferem a alternativa rumo a Marte. Espero que neste futuro, as colônias de estufas cooperem entre si, evitando conflitos artificiais que alimentariam nova indústria de armas, destruição, poluição e a necessidade de migrar rumo a Júpiter.

Até a próxima. 

domingo, 8 de maio de 2011

Penso, logo existo!

Os filósofos gregos e os escolásticos acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir.

René Descartes (1596-1650), o primeiro pensador moderno, institui a dúvida: só existe o que pode ser provado. Penso, logo existo! Sustentado em evidências objetivas, deixa-nos seu método cartesiano com quatro etapas – 1. verificar as evidências; 2. analisar em unidades simples; 3. sintetizar as unidades estudadas e; 4. enumerar todas as conclusões e princípios utilizados para manter a ordem do pensamento - que passa a ser a base da matemática moderna.

No Brasil do século 21, ainda temos baixíssima taxa de inovação e produção de conhecimento, um dos fatores críticos de sucesso e de sustentabilidade de uma economia moderna candidata à quinta posição no ranking das maiores do mundo global.

Na Academia, entre as duzentas melhores Universidades, não temos nenhuma brasileira. Nestas bandas, nunca demos a devida importância ao método científico, aos conceitos, teorias, metodologias e planejamento. Há uma preferência nacional pelas emoções do improviso.

Enquanto os países desenvolvidos e emergentes não param de inovar, faltam pensadores, planejadores, estrategistas e conselheiros no Brasil, assim como faltam engenheiros, gerentes de projetos, arquitetos de sistemas, médicos pediatras, entre outros.

O conceito de planejamento estratégico aplicado a países, setores da economia e corporações vem sendo adotado e evoluído como método científico, caracterização de escolas do pensamento e formulação estratégica e análises heurísticas sobre os processos de implementação da estratégia desde a década de 1960. No governo Kennedy, seu secretário de Defesa, Robert (Bob) McNamara   aplicou conceitos e implementou o planejamento estratégico.

Mas foi o canadense Henry Mintzberg, Ph.D. e professor do M.I.T. que criou a base metodológica para o pensamento estratégico, classificando-os em 1998 em dez escolas de estratégia.

Em 2005, os professores de Harvard, Robert Kaplan e Dave Norton propuseram em artigo a criação de um “escritório de gestão da estratégia”, poderosa ideia que vem prosperando rapidamente no mundo desenvolvido.

De acordo com André Coutinho e Saulo Bonassi em “O Ativista da Estratégia” lançado esta semana pela Campus, “é necessário uma ponte entre dois mundos aparentemente distantes, o da arte de criar estratégias e da ciência de leva-las à efetiva implementação”. Neste livro cocriado com 26 executivos brasileiros, eles ressaltam a importância do papel do Ativista da Estratégia e do escritório de gestão da estratégia.

Em um país que dá pouca importância ao método, se não ocorrer uma transformação profunda nas estruturas de governança e gestão das empresas e das instituições públicas, infelizmente é baixa a probabilidade de adoção das experiências bem sucedidas com a criação dos escritórios de gestão da estratégia nos outros países.

Tomemos como exemplo o caso dos profissionais que trabalham com gerência de projetos. O renomado instituto internacional PMI – Project Management Institute coloca à disposição dos interessados, empresas, ongs e governos, padrões, boas práticas, formação e certificação de profissionais além de incentivar a instalação do escritório de gestão de projetos. E o que vemos em nosso país, que tem um déficit gigantesco de infraestrutura?  Letargia e indiferença na aplicação sistemática das melhores práticas e de ferramentas analíticas poderosas para este fim.

Descartes está morto há mais de 350 anos, mas seu método ainda pode ajudar a tirar nosso país da mentalidade de que as coisas existem simplesmente porque precisam existir. E dá-lhe improviso!

Conclamamos aos  profissionais e organizações a atribuirem mais importância ao método, ao planejamento, à estratégia e à gestão, preparando-se para serem verdadeiros agentes da transformação da Sociedade brasileira em sintonia com as melhores nações em respeito e qualidade de vida no século 21.

Até a próxima.

domingo, 1 de maio de 2011

Delírios ou Realidade?

Hoje é o Dia Mundial do Trabalho e fez um lindo sol aqui em Quito antes deste anoitecer frio e chuvoso. Chego ao hotel e vejo na Internet as seguintes manchetes: “Osama bin Laden é morto  em uma mansão na periferia de Islamabad, capital do Paquistão, pelas forças americanas.”
“A OTAN continua bombardeando a Líbia e matando inocentes.”
“A beatificação do Papa Jõao Paulo II, seis anos após sua morte, reúne uma multidão de 1,5 milhão de pessoas em Roma.”
“Luciana Gimenez declara que Kate Middleton, a Duquesa de Cambridge, copiou o modelo do seu vestido de casamento.”

Delírios ou Realidade?

Ontem viajamos pelo interior do Equador dando entrevistas a rádios, TVs e Jornais para divulgar o Programa Nacional Justicia Si – da transformação do Poder Judiciário do país – iniciativa tornada pública pelo Presidente Rafael Correa em seu programa semanal de televisão “Enlace Presidencial”, e base da sua campanha para a Consulta Popular a ser realizada no próximo sábado, dia 7 de maio, para respaldar a expansão da Revolução Cidadã em marcha no país.

Almoçamos no famoso e bom restaurante “El Delírio” em Riobamba, que foi sede de uma fazenda onde em 1823 o General Simón Bolívar - militar e líder político venezuelano, considerado o libertador da América Espanhola – hospedou-se por alguns dias para descansar e teve sua maior visão e inspiração descrita por ele mesmo no famoso documento “Mi Delírio Sobre el Chimborazo”.

Além de ser nome de um dos maiores vulcões do Equador – que tem cerca de quarenta vulcões quase todos inativos – Chimborazo é nome de uma importante Província. Numa noite, quando retornava para a fazenda passando a cavalo próximo ao vulcão, Bolívar descreve em seu “Delírio”, ter sido possuído por um Deus, o “Dios de Colombia”, que mostra a ele em uma visão fabulosa, que o futuro da América Latina será a independência e a união de todos os países contra o jugo europeu.

Ele inicia assim a descrição do seu Delírio: “Eu vinha envolto no manto de Iris, desde onde se paga tributo ao caudaloso Orinoco, Deus das Águas.” Conta em detalhes como foi possuído, até que se restabelece e “Absorto, levei algum tempo até me despertar, e encontrava-me deitado sobre aquele imenso diamante que me servia de leito. Aí, a tremenda voz da Colombia grita me chamando. Ressuscito, sento, abro com minhas próprias mãos minhas pesadas pálpebras: volto a ser humano e escrevo meu Delírio.”

Estive hoje na cidade da “Metade do Mundo”, onde passa a linha do Equador e está sendo construída a sede da UNASUR – União das Nações Sulamericanas que será inaugurada em 2012. É o sonho de Bolívar concretizando-se cento e oitenta e um anos após a sua morte por tuberculose aos quarenta e sete anos de idade.

Temos um novo Bolívar? O Presidente Rafael Correa do Equador, com sua capacidade de liderança e juventude, usa sua Revolução Cidadã para combater os excessos ocorridos na noite negra - palavras dele -  do neoliberalismo e os desequilíbrios da globalização insana dos mercados – defende uma globalização racional das Sociedades Humanas – e traz esperança não somente para o povo equatoriano, mas também para toda América Latina, que, desde Bolívar, não tem um líder carismático com este sonho “delirante” de uma América Latina unida sob os mesmos ideais de liberdade, solidariedade e preservação do meio ambiente e das belezas naturais deste lindo subcontinente.

Delírios ou realidade?

Até a próxima.