domingo, 23 de janeiro de 2011

A Tragédia e o Marinheiro

As tragédias provocadas pelas enchentes na Serra Fluminense e nas cidades no norte de Santa Catarina nos dão uma lição de solidariedade dos doadores e voluntários que trabalham de forma incansável, socorrendo e  levando esperança às vitimas. Também percebemos um início de coordenação entre os poderes constituídos locais, estaduais e federais e torcemos para que ações conjuntas e bem conduzidas ajudem a minimizar os efeitos dessa devastação. Agora, esperarmos quatro anos – como anunciou durante a semana o ministro Mercadante da Ciência & Tecnologia - para termos um sistema de informações sobre as condições climáticas para, só então, serem disparados alarmes e demais ações preventivas em áreas de riscos, é um absurdo!

Sr. Ministro, com o avanço da tecnologia da informação e comunicação, mesmo os sistemas mais complexos para aplicações civis e militares, são arquitetados, desenvolvidos e implantados de forma modular, permitindo que suas funcionalidades básicas estejam operacionais em poucos meses. O que é um grande desafio para V. Exa. e equipe, apresenta-se como mais uma oportunidade para o nosso país alcançar a modernização através da adoção de novas tecnologias e de novos métodos de gestão com a aplicação inteligente e honesta dos recursos públicos. O que precisamos é replicarmos na gestão pública, a revolução que ocorreu nas três ultimas décadas na gestão do setor privado.

Eu tinha quatorze anos, morava em Belo Horizonte, trabalhava de dia no Banco e estudava à noite. Era considerado pelos meus colegas e chefes, um dos mecanógrafos mais rápidos da história do banco e desta curta profissão existente antes do advento dos computadores, que se consistia em fazer os lançamentos em uma ficha alaranjada de uns 30 cm de largura por 40 cm de comprimento, onde eram lançadas todas as movimentações das contas dos clientes a partir de uma pilha de fichas pequenas manuscritas e um lápis grosso bicolor, de um lado azul e do outro vermelho para ticar ok e colocar um xis em vermelho onde apresentasse algum problema, tais como data, valores, saldos, entre outros.

Transcorria o glorioso e inesquecível ano de 1970 para o futebol brasileiro. Enquanto comemorávamos o tricampeonato mundial de futebol no México com aquela que foi a melhor seleção de todos os tempos, no Japão, em Suita, Osaka, inaugurava-se a EXPO-70, com o tema “Progresso e Harmonia”, apresentando pavilhões de vários países do mundo, mas destacando a inauguração da cidade científica de Tsukuba e sua Universidade futurista com 46 laboratórios de pesquisas científicas básicas e aplicadas. 

Foi quando li o prospecto sobre a EXPO-70 que decidi conhecer o Japão!  E, por causa desta decisão, começa então a história de outra profissão curta que vim a exercer entre os 21 aos 22 anos: a de oficial da marinha mercante, o caminho que encontrei para fazer minha primeira jornada ao Japão.

Experimentei tragédias pessoais e percorri caminhos muito difíceis entre 1968 até 1976. Em 1977 chego ao Japão pela primeira vez.  Foi a minha primeira jornada planejada. E valeu a pena!

Nas saídas e chegadas aos portos, a beleza das paisagens e do encontro com novas culturas, danças, gastronomia, garotas, histórias e estórias. Durante as travessias, a sensação indescritível de paz e plenitude, tal qual imortalizada no filme “Titanic” na cena do Leonardo DiCaprio com a Kate Winslet, sensação que eu já tinha provado ao projetar-me totalmente à frente da proa do navio, com o vento soprando forte no meu rosto e a visão paradisíaca de peixinhos voadores, golfinhos e toninhas saltando e acompanhando o movimento do navio. À noite, era de tirar o fôlego quando eu olhava para cima, pois um tapete de estrelas reluzentes cobria o céu como se, no breu do oceano, todas elas estivessem olhando para mim.  Era uma jornada vivenciada a cada passo e um sonho a caminho da realização!   Às vezes, olhando as estrelas, me lembrava das palavras de Cervantes: “Até a morte, tudo é vida!” Mas para mim, com todo aquele universo maravilhoso e envolvente, não poderia haver morte, e, mesmo que houvesse, depois dela teria que ter vida, pois somos feitos da poeira das estrelas, organizadas em elementos químicos de acordo com uma lei maior sob a qual tudo e todos estamos subordinados.

No próximo post publico um texto que escrevi logo após o resgate de 97 vietnamitas no Mar da China durante esta jornada a caminho do Japão.

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