domingo, 27 de março de 2011

Visão, gafes e esperança

Estou olhando pela janelinha do avião rumo a Bogotá e Quito neste bonito domingo de sol que pode entrar para a história do futebol caso Rogério Ceni marque seu 100º gol. Neste clássico do futebol paulista, Corinthians e São Paulo se enfrentam hoje à tarde na briga pela liderança do Paulistão 2011 na Arena Barueri, que pode ser palco de mais esta façanha do futebol brasileiro: ter o primeiro goleiro do mundo a atingir a marca dos 100 gols. A esperança dos São-Paulinos é de que isto aconteça hoje contra o seu arqui-rival.

Já em Manaus haja gafes! Palco esta semana do desfile de celebridades durante a realização do 2º. Fórum de Sustentabilidade, agora foi a vez do ex-governador da Califórnia – Estado americano com a melhor legislação ambiental graças a ele – Arnold “Exterminador do Futuro” Schwarzenegger dirigir-se a nós como “México” durante sua apresentação. Como se não bastasse, ele só pode ter confundido Manaus com o prédio da Bienal em São Paulo onde acontecia a 2ª. Risadaria, e fez piadinha de mau gosto sobre a energia das nossas sambistas na Sapucaí.

Saudades do ex-presidente Ronald Reagan, também ex-governador da Califórnia e ex-astro de Hollywood, que “apenas” chamou nosso país de “Bolívia” por ocasião da sua visita oficial. Sem mencionarmos o fortão Silvester “Rambo Rocky Balboa” Stallone, que se cansou de dar tiros na selva no Vietnã e está lançando uma grife de moda, e que também gerou uma grande confusão na sua passagem pelo Rio de Janeiro. O que acontece com o cérebro destes brutamontes quando cruzam rumo  ao lado Sul da linha do Equador?

Há mais de dez anos, eu era sócio de uma consultoria internacional, e recebemos um sócio americano em assignment por 3 anos no Brasil, mas ele nunca aprendeu a falar uma palavra sequer em português.  Agora entendo, foi para não falar besteira.

Já, o politicamente correto, ex-presidente Bill Clinton, conclamou o Brasil a “liderar o Século XXI rumo às energias limpas e renováveis.” Será que ele foi sincero, ou também cometeu uma gafe, a da demagogia?

Sempre sonhamos com uma parceria de iguais com os nossos irmãos do Norte, mas depois da pífia passagem do presidente Obama por Brasília e Rio de Janeiro no último final de semana, e de todas estas gafes e estórias de americanos “palpitando” sobre nossas florestas, nossos combustíveis e nossas mulatas,  ao invés de reduzirem as barreiras de importação impostas pelo seu Congresso, só mesmo relembrando um sábio rei da antiguidade.

Para o rei Salomão, a fonte de poder e sabedoria é a visão, e o combustível é a esperança. Considerado o homem mais rico, sábio e vitorioso de todos os tempos, Salomão foi coroado rei de Israel com apenas 12 anos de idade em 962 a.C. 

Entre os seus sábios ensinamentos, está a máxima que diz “precisamos de parceiros com quem possamos compartilhar nossas idéias e que ofereçam conselhos e críticas sinceras e construtivas”.

Que dureza! Vamos com estes parceiros do Norte, e com os já parceiros do Sul, ou vamos buscá-los também na paciência oriental seguindo os conselhos do rei Salomão: visão e esperança. Sem gafes.

E desculpem se eu me inspirei na Risadaria, ou se é o efeito da altitude. By the way, a minha visão aqui de cima do tapete de nuvens brancas imaculadas está maravilhosa! 

Até a próxima.

domingo, 20 de março de 2011

Obama e o insosso discurso do Rio

Muito simpático, porém um tanto quanto “insosso” o discurso que o presidente americano Barack Obama proferiu hoje à tarde no Theatro Municipal do Rio de Janeiro em sua primeira viagem ao Brasil, que acontece em um momento mágico do nosso país.

Momento mágico conquistado pelo desempenho do Brasil na crise de 2008-2009, pela descoberta do pré-sal e pela atenção que o país atrai pelo fato de sediar a próxima Copa do Mundo de Futebol em 2014 e as Olimpíadas de 2016.

Como excelente orador e homem sensível, pelos padrões dos presidentes americanos, iniciou seu discurso de maneira muito simpática falando em português, “alô Rio de Janeiro, alô Cidade Maravilhosa”. Na sequência citou o “Orfeu Negro” e o cantor Jorge BenJor. Além de elogios rasgados à Presidente Dilma Rousseff, à democracia e à economia brasileiras, ao final de seu pronunciamento, Obama também cita o escritor Paulo Coelho.

O presidente tece um paralelo entre a trajetória dos EUA e do Brasil como nações livres, abundantes em recursos naturais e terras natais de povos indígenas antiqüíssimos. Ambas as nações são descobertas pelos europeus e denominadas de “novo mundo”, colonizadas por pioneiros, tornam-se independentes com uma diferença de 46 anos, a favor dos americanos, que se viram livres dos ingleses em 1776 enquanto o Brasil só deu o “grito do Ipiranga” em 1822.

Comenta o fato de as duas nações terem recebido grandes quantidades de imigrantes que ajudaram na sua construção. Cita a escravidão, que foi flagelo comum nos dois países, mas novamente,  ponto para os EUA que libertaram seus escravos 25 anos antes que o Brasil: 1863 contra 1888.

Na sequência, o presidente enfatiza a importância da ampliação das fronteiras rumo ao Oeste. Ponto para os EUA.  O Brasil demorou a iniciar o processo de interiorização. Enquanto lá a corrida do ouro rumo ao Oeste ocorreu entre 1763 e 1848, ano em que foi descoberto ouro na Califórnia, aqui somente na década de 1950 começou a corrida para o Oeste quando JK enfrentou os lacerdistas e os retrógrados em sua difícil luta pela construção de Brasília.

Os Estados Unidos foram a 1ª. nação a reconhecer a independência do Brasil e a 1ª. a estabelecer um posto diplomático no Rio de Janeiro. Ponto para os EUA.   Um ponto para o Brasil aqui: o primeiro líder de um país a visitar os EUA foi  Dom Pedro II. Verdadeiramente nosso Imperador era um estadista de visão.

Disse o presidente: “na última década, o progresso feito pelo povo brasileiro inspirou o mundo”. Belo elogio.  O que precisamos é “inspirar” o Congresso dos EUA a derrubar as barreiras impostas contra os produtos brasileiros exportados para aquela nação.

Citou também que “empresas brasileiras e americanas assumiram o compromisso de aumentar o intercâmbio de estudantes entre nossas nações.” Diante do potencial existente, este intercâmbio ainda é muito tímido e se dá entre instituições "privadas" de ensino.  Onde está a democracia na educação?

O presidente Obama disse ainda “este não é mais o “país do futuro”, o futuro já chegou e está aqui agora.  É hora de tomar posse dele. Continua o presidente “somos parceiros iguais, unidos pelo espírito do interesse comum e do respeito mútuo, comprometidos para com o progresso que sei que podemos fazer juntos”.

“Podemos aumentar nossa prosperidade em comum. Sendo duas das maiores economias do mundo, trabalhamos lado a lado durante a crise financeira para restaurar o crescimento e confiança.”  

Ele também fala em trabalhar juntos pela segurança da energia e proteger nosso lindo planeta, defendendo uma economia mais verde, com a criação de fontes de energias limpas e renováveis. E os ditadores que os EUA ainda mantêm no Oriente Médio para garantir seu abastecimento de petróleo?

Sobre segurança, diz, “estamos trabalhando juntos para defender a segurança dos cidadãos e deter o narcotráfico que já destruiu vidas demais neste hemisfério e aumentar a segurança entre os dois hemisférios.”

Faz um afago ao continente africano, quando diz que ambos, EUA e Brasil, enriquecidos pela herança africana, devem trabalhar juntos com o aquele continente para ajudá-lo a se reerguer. Faz breve menção ao Oriente Médio, dizendo que quando os jovens insistem em que as correntes da História estão se movendo, a carga do passado pode ser apagada, mencionando Tunísia, Egito e Líbia.

Busca agradar Brasil e Japão dizendo que o Brasil é o lar da maior população japonesa fora do Japão, e que os EUA estão dando apoio ao povo japonês nesta hora de grande necessidade. Fala de encontrar força na diversidade, de justiça social e de inclusão social, que podem ser melhor conquistadas por meio da liberdade e que a democracia é a maior parceira do progresso humano, onde todos os cidadãos devem ser tratados com dignidade e respeito. “Todos queremos ser livres, queremos ser ouvidos, todos ansiamos por viver sem medo ou discriminação”.

Ao final, retoma o senso de possibilidade que o elegeu “YES, WE CAN” e fala do otimismo que primeiro atraiu pioneiros ao “novo mundo”, e que isso une indelevelmente EUA e Brasil como parceiros nesse novo século 21.

Obama disse que vai voltar ao Brasil e ao Rio em 2016. Só não sabemos se voltará como Presidente ou como ex-Presidente convidado, pois enfrentará uma reeleição difícil no final de 2012. Com um discurso simpático, porém  “insosso”, Obama deixa escapar a oportunidade de materialização e lançamento das bases de integração dos dois hemisférios através de uma agenda mais clara e profunda  da parceria de iguais entre os dois gigantes das Américas:  EUA e BRASIL. Ponto para Michelle Obama e para as filhas Malia e Sasha que, sem a grande altivez esperada por parte do pai, passaram a roubar as cenas com os seus modelitos e simpatia.

Até a próxima.

A tenacidade do povo japonês

Nove dias após o terremoto e tsunami que atingiram o  nordeste do Japão em 11 de março, dois sobreviventes de 80 e 16 anos foram resgatados hoje com vida das ruínas de um dos povoados  devastados na província de Miyagi.  Este é um pequeno exemplo da tenacidade deste povo.

Tenacidade que vem da necessidade de sobrevivência em condições geo-climáticas adversas,  e da forte cultura xintoísta-budista-confucionista e de grandes exemplos deixados pelos seus ancestrais.

Vestígios de vida no arquipélago japonês remontam há mais de 100 mil anos, quando as atuais 6.852 ilhas vulcânicas e montanhosas ainda estavam coladas ao continente asiático. Mas foi por volta de 250 d.C. que cavaleiros vindos da Mongólia invadiram o arquipélago e tomaram seu controle, iniciando a dinastia Yamato que impera no país até hoje. 

No século VI, foi introduzida a escrita chinesa em ideogramas, o budismo e o confucionismo, e no ano 710 foi construída a cidade de Nara – uma réplica da cidade chinesa de Changan – que passou a ser a capital do Japão. Neste período, com o apoio do governo e do imperador Shomu, o budismo prosperou e a cultura chinesa difundiu-se e foi amplamente assimilada.

No Período Kamakura – entre os anos 1192 a 1333 - o Japão instituiu um regime militar conhecido por “xogunato” onde o imperador nomeava um xogum – ditador militar – para governar o país. Neste período, que marca o início do feudalismo japonês, o primeiro xogunato inaugurado por Minamoto Yoritomo, fixou sua sede na vila litorânea de Kamakura, e derrotou Kublai Kan - neto de Genghis Kan, rei da Mongólia que conquistou toda a China – quando este tentava invadir o território japonês. Além da luta dos bravos samurais em defesa das ilhas, o Japão foi beneficiado por poderosos furacões e tufões que se abaterem sobre os barcos mongóis, destruindo-os. Esses tufões ficaram conhecidos desde então como “kamikaze” ou “vento divino”.

Mas, uma das referências mais fortes e significativas para os japoneses, surgiu quando o guerreiro da província de Harima, chamado Shinmem Musashi No Kami Fujiwara No Geshin – popularmente conhecido como Miyamoto Musashi – dois anos antes de morrer em 1645 com 60 anos, isolou-se na caverna Reigando, na ilha de Kyushu, e compilou seus conhecimentos de uma vida nas artes da espada e da estratégia, na obra intitulada “Go Rin No Sho” ou “O Livro dos Cinco Anéis.”

Esta obra, que se inspirou na cultura guerreira japonesa, tornou-se uma das mais importantes sobre o combate pessoal e sobre estratégia, dividindo fama com o livro “A Arte da Guerra” escrito pelo general chinês Sun Tzu no século IV a.C.

Dividido em cinco livros: o da Terra, o da Água, o do Fogo, o do Vento e o do Vazio, esta obra descreve os princípios e valores que norteavam o “Caminho do guerreiro” ou “Caminho da estratégia”, como preferia chamar o autor. No livro da Terra ele trata da importância da estratégia militar e dos diversos caminhos possíveis na época – de acordo com as leis confucianas – os Caminhos do lavrador, do mercador, do artesão e o do guerreiro.

No livro da Água, explica os métodos para alcançar a vitória e a movimentação do corpo como a fluidez da água. No livro do Fogo, ele descreve técnicas de combate. No livro do Vento, faz comparações entre seus ensinamentos e os de outras escolas japonesas de artes marciais, e no último livro, o do Vazio, Miyamoto Musashi aconselha o guerreiro a não se afastar do Caminho verdadeiro, ou seja, manter o espírito tranqüilo e aprimorado com o coração e a mente, aperfeiçoando visão e percepção.

Segundo ele, a sabedoria e os princípios devem guiar o caminho que se escolhe trilhar, e a iluminação chegará quando o espírito estiver vazio, que é onde não existe nada. Conhecendo as coisas que existem, pode-se conhecer as que não existem. Esse é o vazio.

Entre 1935 e 1939, esta obra foi publicada em pequenos capítulos diários no maior jornal japonês, o Asahi Shimbum. Depois de 1013 capítulos, foi transformado em livro e vendeu mais de 120 milhões de exemplares no Japão, quase a totalidade da sua população atual de 128 milhões de habitantes.

Com tanta história e tanta inspiração, este povo, que conseguiu reerguer-se da devastação da 2ª. grande guerra mundial, ressurgindo a partir da década de 70 como uma das maiores potências do globo, certamente, com a mesma tenacidade, irá reerguer-se novamente desta tragédia provocada pelo terremoto seguido de tsunami e explosão na usina nuclear de Fukushima 1, que já consumiu mais de 20.000 vítimas entre mortos e desaparecidos.

Banzai Japão!  Dez mil anos de vida ao seu bravo povo!  Até a próxima.

domingo, 13 de março de 2011

Zeitgeist, o Espírito do Tempo ( I )

À medida que o conteúdo deste blog vai se formando, eu pensei em iniciar já nas próximas semanas, uma série de textos associando o “Tzaitgaist” (é assim que se pronuncia) com o padrão em  redes de conexões e os quocientes QI, QE e QS.

O termo “zeitgeist” – cuja tradução significa “espírito do tempo” -  foi introduzido no século 18 pelos filósofos alemães Herger e Hegel para se referirem ao nível de avanço intelectual e cultural do mundo em uma determinada época. Já em 2007, este termo foi adotado para o lançamento de uma série de filmes apresentando teorias sobre as origens do cristianismo e sobre possíveis conspirações por trás dos ataques de “11 de setembro aos Estados Unidos”.

Estou antecipando minha referência ao “zeitgeist” neste texto, pelo fato desta semana ter ocorrido o “11 de março do Japão”, um terremoto de 8,9 graus – o maior já registrado na história do país - que atingiu a costa nordeste provocando um rastro de destruição e morte de 2.000 pessoas com mais de 1.900 feridos.  Imagens impressionantes do momento dos tremores e das ondas gigantes que invadiram praias, estradas, portos, aeroportos e cidades, gravadas por câmaras de monitoramento e celulares, foram vistas em todo mundo. E o país ainda está em alerta máximo, pois há probabilidade acima de 70% de ocorrerem tremores secundários nos próximos dias e de novas explosões na usina nuclear de Daiichi em Fukushima.

Tenho uma ligação muito forte com o Japão, pois além dos períodos curtos que lá estudei em 1977 e 1981, morei com a minha esposa de 1988 a 1992,  quando nossa primeira filha nasceu na véspera do Natal de 1989 no Hospital Católico de Tóquio, tendo como padrinhos amigos japoneses.  Neste período, as Irmãs caminham em procissão à noite em todo o hospital, carregando velas e entoando cânticos natalinos maravilhosos. Felizmente nossos amigos e conhecidos japoneses estão bem.

Caso este terremoto ocorresse em outro país, o nível de destruição certamente teria sido muito maior. Isto é verdade porque os japoneses são conscientes de que catástrofes naturais desta magnitude continuarão a ocorrer em seu território e em outros países, por isso  destinam muitos recursos para planejamento, prevenção e organização da população para enfrentar terremotos, tufões, furacões e maremotos, construindo sua infra-estrutura reforçada para suportar tremores e ventos de alta velocidade.

Mais uma vez a natureza nos ensina que a sustentabilidade da vida humana passa pelo respeito ao meio ambiente, às leis da física, e pela dinâmica das sociedades e países em suas interações contínuas com as forças da natureza. 

Algo parece ser determinado pelo “espírito do tempo”, que age como se fosse a soma das consciências em sincronia com eventos naturais, modificando assim seu estado para melhor ou para pior de acordo com o ponto de vista humano. Desde a revolução da agricultura na Baixa Mesopotâmia há oito mil anos,  passando pelas civilizações dos Sumérios, Assírios e Caldeus, pelo êxodo hebreu do Egito, por Alexandre Magno, por Roma, pelo Cristianismo, pelo Império Chinês, pela Idade Média, pelos Grandes Descobrimentos, pelos Maias, Incas e Astecas, pelo Império Britânico  chegando aos dias atuais, o ser humano tenta desvendar estes mistérios mapeando as conexões entre os eventos para que possamos exercer maior controle sobre nosso destino.

Minha homenagem ao bravo povo japonês, e que a solidariedade internacional prevaleça nesta difícil hora.   Até a próxima.

terça-feira, 8 de março de 2011

Enfim o Gigante (do Sul) acordou?

Estamos em pleno carnaval -  a maior festa a céu aberto do mundo -  que gera e espalha ondas de energia e alegria numa velocidade incrível através da rede de conexões entre pessoas, músicas, danças, fantasias e entorno. Só o Galo da Madrugada levou às ruas no último sábado no bairro de São José no Recife, mais de um milhão e seiscentos mil foliões, quantidade de gente maior do que toda a população da cidade medida pelo Censo Brasileiro de 2010 do IBGE.

É muito bonito ver a garra, a satisfação e a felicidade com que os apaixonados pelo carnaval desfilam suas fantasias e o seu orgulho momalesco quer seja na avenida, em cima de um carro alegórico, no Marco Zero, na praça,  no bloco de rua, no trio elétrico, nos bailes. Durante este período nós brasileiros nos transformamos em “brincantes”, “telespectadores”, “aproveitando para descansar”, “aproveitando para reenergizar”, “aproveitando para colocar a leitura em dia”, “aproveitando para fazer retiro espiritual”, “viajantes” ou “naqueles que trabalham durante o carnaval”.

Minha homenagem especial a todos os trabalhadores deste período que garantem o bem-estar, o conforto, a mobilidade e a segurança da grande maioria que quer descansar ou se divertir,  quer seja em hotéis, resorts,  restaurantes, lojas, bares, delegacias, empresas de água, energia elétrica, telefonia e internet. Especialmente aos garis, aos seguranças e aos jornalistas em seus diversos meios de comunicação,  aos que trabalham nos aeroportos, portos, ônibus, táxis, aviões, balsas e outros transportes marítimos e fluviais por este imenso Brasil afora.

Ao que se dedicam ao trabalho para possibilitar a emoção das pessoas que desfilam ou assistem aos desfiles das escolas de samba de São Paulo – onde acaba de sair vitoriosa a Vai-Vai -  ou do Rio de Janeiro, nos trios elétricos dos circuitos de Salvador, blocos do Recife e Olinda, Ouro Preto e outras centenas de cidades brasileiras e mostram um país vivo, pulsante, nota dez nos quesitos bateria, comissão de frente, evolução e conjunto.

É a harmonia do Gigante em movimento. Imaginemos estes mesmos e melhores atributos dos brasileiros em ação durante o ano inteiro nas Escolas, Repartições Públicas, Empresas, Hospitais, Câmaras de Vereadores? Do nosso magnífico Hino Nacional aprendemos e cantamos, quase sempre com lágrimas nos olhos e a mão no coração, “Brasil, um sonho intenso, um raio vívido  // De amor e de esperança à terra desce  // Se em teu formoso céu, risonho e límpido  // A imagem do cruzeiro resplandece  //  GIGANTE PELA PRÓPRIA NATUREZA  // és belo, és forte, impávido colosso  //  E o teu futuro espelha essa grandeza  // Terra Adorada, Entre Outras Mil, És Tu, Brasil, Ó Pátria Amada! Dos filhos deste solo és Mãe Gentil, Pátria Amada, BRASIL! “

Que Nação dinâmica, justa e desenvolvida teremos mantendo este “Gigante pela própria Natureza” nesta ação do bem, do entretenimento, do turismo, da educação, da produção e do bom governo?

Quando olhamos o mapa mundi vemos no continente americano os três gigantes em extensão territorial. Estados Unidos e Canadá ao Norte, sendo este o segundo maior país do mundo em área total, atrás apenas da Rússia, e o Gigante do Sul, nosso Brasil. Os dois gigantes da América do Norte já acordaram há muito tempo. Talvez pelo rigor dos invernos.

O Canadá, formado por dez províncias e três territórios, obteve autonomia do Reino Unido em 1931 e é hoje um dos países mais desenvolvidos do mundo, com uma economia diversificada e um relacionamento longo e complexo com os Estados Unidos, com quem tem a mais longa fronteira terrestre do mundo. Em seu Hino, os Canadenses cantam também o seu orgulho “Ó Canadá! Nossa casa e terra nativa! O Norte Verdadeiro forte e livre! Ó Canadá, nós ficamos de guarda para vós!”

O outro gigante, os Estados Unidos da América, acompanhamos de perto e sabemos quase tudo, pois as mídias se inspiram e servem de ressonância ao que esta grande Nação do Norte faz e diz.

Mas enfim, como sabermos se o nosso Gigante do Sul verdadeiramente acordou?  Quando percebermos que toda a sociedade participa com a mesma garra e alegria do carnaval, na grande construção que se ensaia para as próximas décadas em todos os setores de atividade neste país.

Entre vários grandes projetos em andamento no setor de Energia, Petróleo e Infraestrutura, um exemplo desta ação do bem é a construção da  Rodovia Transoceânica Brasil – Pacífico, que parte de Rio Branco no Acre passando pela Floresta Amazônica, atravessando os Andes peruanos e chegando a três portos do Perú: Ilo,  Maratani e San Juan de Marcona. Esta rodovia reduz em 6 mil quilômetros a distância da rota comercial do Brasil com a Ásia, via Oceano Pacífico, com impacto positivo no processo logístico do comércio internacional do Brasil com aquele continente.
                                                                                        
Desde os anos 90,  quando tive a oportunidade de conhecer quase todos os países da América do Sul, transformei-me num grande entusiasta dos projetos de integração da América Latina. Além da Rodovia Transoceânica Brasil – Pacífico, defendo também projetos com Satélites em Aplicações para Monitoramento do Clima, Meio Ambiente, Desmatamento, Oceanos, Agricultura, Pecuária, Segurança das Fronteiras, Combate ao Narcotráfico, Usinas Geradoras de Energia, Estradas, entre outras -  A experiência de uma segunda moeda comum a todos os países do Subcontinente da América do Sul, a Cooperação na  Modernização dos Serviços Públicos, a Cooperação e Desenvolvimento de Polos Turísticos e de Jogos, Centros Tecnológicos Multi-países, Portos Secos, Plataformas de Exportação de Serviços, entre outros.

Foi a mesma energia e alegria do carnaval que fez com que em 1970 rompêssemos o  isolamento histórico que tínhamos em relação aos países da América Espanhola, com a vitória da seleção brasileira de futebol levantando o tricampeonato mundial no México.

Hoje, quarenta e um anos depois, expandimos nossas cidades e nossas fronteiras do agronegócio rumo ao Oeste, aumentando a influência da zona do Real nos países vizinhos, onde somos queridos e admirados como o “Gigante do Sul”, país irmão de todos os Sul Americanos.

Assim como a União Européia, que começou como Comunidade Econômica em 1957 - cinqüenta anos depois -  passa a contar com 27 países integrantes com a entrada da Romênia e da Bulgária em 2007.

Se o “Gigante do Sul” enfim acordou, vai assumir naturalmente a liderança do processo de integração com os demais países da América do Sul.  Para o bem de todos!

Bom final de carnaval.  Até a próxima.