domingo, 6 de fevereiro de 2011

O Resgate e a Globalização

A globalização das relações comerciais, financeiras, sociais, políticas e culturais entre todos os povos e países é uma realidade tornada possível pelo contínuo desenvolvimento dos meios de transportes e das telecomunicações nas ultimas décadas.

Mas o fenômeno que consolida este processo e causa o maior impacto na vida dos indivíduos em toda a história das civilizações, desde que o homo sapiens migrou da África há cerca de 250 mil anos para popular os demais continentes, responde pelo nome de internet.

Com a possibilidade de cada ser humano estar conectado à rede e ter seu próprio endereço digital,  seja ele um beduíno de uma tribo do deserto ou um alto executivo da Faria Lima, nos nivelam e nos transformam a todos em cidadãos do século 21.  É como um resgate da dignidade intrínseca necessária para que se possa viver com liberdade, fazendo as próprias escolhas, com acesso livre e transparente às informações e conteúdos sobre os acontecimentos em todos os quadrantes do planeta, em todas as suas dimensões. É como poder voltar a ser um nômade, como nossos ancestrais o foram depois de deixarem a África em direção ao desconhecido, só que agora um nômade moderno, com celular ou tablet nas mãos e navegando no facebook ou twitter!

Francis Fukuyama em sua linha de abordagem da História - em o excelente O Fim da História –  preconizou que a  humanidade esteja atingindo o equilíbrio pela ascensão do liberalismo e da igualdade jurídica com  a prevalência do poder supremo dos Estados Unidos da América, mas deixou de considerar o que o seu colega japonês Kenichi Ohmae  teorizou em O Fim do Estado-Nação, com a nova geopolítica de um mundo sem fronteiras.

A recente onda de protestos iniciados na Tunísia e que se espalhou rapidamente pelos países do norte da África e do Oriente Médio, com destaque para a batalha campal diária que assistimos pela televisão  na Praça Tahrir no centro da cidade do Cairo entre a população egípcia e a guarda do famigerado e corrupto ditador Osni Mubarak, prova o conceito de que a internet não é só um fenômeno social, mas pode caracterizar-se por ser uma possante arma política contra as ditaduras e os Estados-Nação, dando lugar a blocos regionais e num futuro não muito distante, a um governo supremo para todo o planeta Terra.  Este pode ser o grande  passo rumo ao equilíbrio e ao fim das guerras ainda neste século 21. E a ONU tem um papel extremamente relevante neste processo.

Em 1977 fiz um resgate de 97 vietnamitas no mar da China.  E hoje quero homenagear o responsável por um dos resgates mais espetaculares do nosso tempo: 43 milhões de sul-africanos resgatados do apartheid, da discriminação, da miséria e da injustiça social.  Pudemos assistir em julho do ano passado, quando todas as TVs do mundo voltaram-se para o Mundial de Futebol, o orgulho dos sul-africanos com o seu país, com o processo de construção nacional a que todos estão empenhados, e com o seu líder maior: Nelson Mandela!  Muitas vezes VIVA Nelson Madela!!!

Os sul-africanos aproveitaram a oportunidade do grande evento mundial e mostraram ao mundo um novo país, além de servirem de farol e motivação para toda a África negra. E quando os holofotes se apagaram no Soccer City em 11 de julho de 2010 encerrando a 19ª. Copa do Mundo de Futebol, com a Espanha levantando o caneco pela primeira vez na história, a África do Sul deixou para o mundo uma imagem positiva.

E, depois da jabulani e da vuvuzela, os holofotes estão voltados para o Brasil do samba, do futebol e do pré-sal. Na noite de domingo dia 11 de julho de 2014 no Maracanã, depois da entrega da taça ao capitão da seleção próxima campeã do mundo, poderemos concluir um balanço de como nosso país tratou este desafio e esta oportunidade única de resgatar o seu orgulho e dar uma demonstração de maturidade, competência, e capacidade de gestão como nação em todos os setores.  É chegada a hora de nós brasileiros resgatarmos o Brasil. E este processo se inicia com o resgate de nós próprios! Por nós mesmos. Pela educação e pela busca do conhecimento. E principalmente pela consciência.  A nova consciência de “ser – amar – criar e servir” que aos poucos vai superando a do egoísmo do ter, na maioria das vezes sem fazer, sem amar e sem ser. 

Felizmente a globalização e a internet estão aí - para apequenar os partidários do velho Brasil  - e para nos permitir que, todos juntos, mulheres e homens de bem, consigamos resgatar este nosso querido país de 192 milhões de pessoas, para o lado do bem-comum e, então, teremos orgulho de dizer em voz alta, em todas as línguas traduzíveis no google, para que todo o planeta ouça: eu sou brasileiro, estava lá e fiz a minha parte!

Até a Próxima.

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