domingo, 20 de fevereiro de 2011

A Globalização e o Conhecimento

Percebemos ao longo da história que todas as grandes potências elegeram fatores de diferenciação competitiva e os utilizaram em prol da riqueza e do bem estar do seu povo.

Até a idade média, possuir terras e recursos naturais eram os indicadores de riqueza das nações e disputados em guerras de conquista por território e escravos, pois representavam grande vantagem. A partir da idade média, a moeda, com o seu sistema de lastro e reservas, passa a ser um fator preponderante pela sua mobilidade e liquidez. No período da revolução industrial,  a qualificação dos trabalhadores passa a ser também relevante para a competitividade.

No mundo global, é impressionante como “conhecimento e informação” se transformaram em  forças da mudança e vêm atuando na dinâmica das nações, em seus sistemas geopolíticos, suas economias, suas culturas, e como determinarão o nível do emprego, da renda e a qualidade de vida das populações nas próximas décadas. Hoje, estas forças representam uma importante vantagem competitiva para países, empresas, cidades e indivíduos.

Os processos e sistemas de “Inteligência de Negócios”, que contempla a extração de dados operacionais fragmentados, o enriquecimento e tratamento para transformá-los em informação valiosa e confiável e a disponibilização dos indicadores de desempenho em painéis executivos, são realidade na maioria das grandes corporações.

Acabo de chegar de uma viagem de negócios de dez dias nos Estados Unidos, e cada vez que visitamos países desenvolvidos, somos levados a fazer comparações com a situação relativa do Brasil. Nosso país faz parte do G-20 – o grupo das vinte maiores economias do mundo – que respondem por mais de 80% do PIB mundial, porém nosso IDH – Indice do Desenvolvimento Humano – nos coloca na 73ª. posição entre os 169 países considerados no relatório de 2010. E a educação de baixa qualidade destaca-se como nosso principal problema, mais até do que saúde e renda, para atingirmos o equilíbrio entre tamanho da economia e a posição neste ranking.

Informação é ouro. Tudo hoje depende de informação e conhecimento. Da inovação ao desenvolvimento tecnológico, do crescimento econômico à melhor distribuição das riquezas com a conseqüente melhoria da qualidade de vida, do aumento da responsabilidade internacional do Brasil ao seu posicionamento estratégico equilibrado dentro deste novo cenário de forças mundiais.

E a forma de adquirir e aplicar conhecimento e informação é através da educação.

As nações mais competitivas serão aquelas que  através de sistemas educacionais de qualidade gerarem e aplicarem conhecimento para criar uma economia inteligente: que usa a informação como vantagem comparativa.

As corporações mais competitivas serão aquelas que desenvolverem capacidade analítica e de previsibilidade utilizando informação para se manterem um passo à frente dos concorrentes.

As cidades mais organizadas e harmoniosas serão aquelas que utilizarem intensamente informação para definir o planejamento urbano, racionalizar o trânsito, economizar energia, melhorar o transporte público, reduzir as perdas por vazamento nas redes de abastecimento de água, entre outros.

Para os indivíduos, conhecimento e informação são fatores críticos para o sucesso profissional e equilíbrio na vida pessoal.

Conhecimento começa com liderança no pensamento. O Brasil deve capturar esta oportunidade oferecida pelo ciclo de crescimento econômico para planejar e executar um desenvolvimento sustentável através da melhoria da educação para aquisição e aplicação do conhecimento com a proteção adequada à nossa cultura, aos nossos mercados e à nossa soberania. A informação a serviço da melhor qualidade de vida, da melhoria das nossas caóticas cidades, da maior competitividade estrutural e global.

Conhecimento e informação são as forças da mudança que o Brasil deve adotar para  transformar o sistema educacional, levar à  adoção ampla de sistemas de informações gerenciais estratégicas, da aquisição, aplicação e compartilhamento do conhecimento para fechar o imenso abismo que ainda existe entre o tamanho da nossa economia e a nossa posição relativa do IDH. Para tanto deveríamos fixar como objetivos estratégicos e permanentes o atingimento da posição número 5 entre o ranking das nações de maior PIB e de IDH - qualidade de vida -  até o ano 2030.

Como uma curiosidade, em 2012, estima-se que a população mundial atingirá a casa dos 8 bilhões de pessoas, 6 bilhões de aparelhos celulares e 2.5 bilhões de cidadãos ainda sem  conta bancária. No Brasil, 193 milhões de pessoas, 200 milhões de aparelhos celulares e mais de 40% dos brasileiros acima de 16 anos ainda sem uma conta bancária ou poupança.

Até a próxima. 

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