Cena 1:
Quinta feira, 7 de Abril de 2011, 8 h da manhã. Os 400 alunos do Ensino Fundamental da Escola Municipal Tasso da Silveira no bairro do Realengo no Rio de Janeiro, tinham acabado de entrar nas salas de aula quando um ex-aluno, Wellington Menezes, de 23 anos, entra com 2 revólveres, muita munição e carregadores automáticos, dispara mais de 60 tiros, mata 12 adolescentes com idades entre 12 a 15 anos, fere outros 13, sendo que 2 estão em estado grave, e, cercado por dois policiais, se mata.
Seu perfil no Orkut: nenhum amigo, nenhum depoimento, nenhum recado.
E disse Jesus aos discípulos: “É impossível que não venham escândalos, mas ai daquele por quem vierem! Melhor lhe fora que lhe pusessem ao pescoço uma mó de atafona, e fosse lançado ao mar, do que fazer tropeçar um destes pequenos.”
Jornalistas, políticos, policiais, psicólogos e psiquiatras têm debatido o “perfil do assassino” e concluído que este tipo de barbárie é impossível de ser previsto ou impedido, pois se trata de “caso isolado” perpetrado por um sociopata.
Discordo destas conclusões. Caso nosso país tivesse uma boa estrutura educacional e uma rede de proteção social que acompanhasse e protegesse as famílias desajustadas, além de contar com um modelo de segurança pública que, sem invadir a privacidade, pudesse identificar indivíduos com comportamentos de risco, este e os futuros casos similares poderiam ser evitados.
Cena 2:
Quase todos os dias, em muitos gabinetes, restaurantes, hotéis, clubes, flats e fazendas, aqueles servidores públicos – do poder judiciário, políticos com e sem mandato e funcionários com “cargos de confiança” no executivo, no legislativo, nas agências e nas estatais – que são contratados e pagos para formular e implementar políticas públicas nas esferas federal, estadual e municipal e que deveriam dar exemplo de probidade, criando infraestrutura e mecanismos das redes de proteção para a sociedade, gastam grande parte do seu tempo e inteligência na defesa dos interesses próprios, privados e escusos. A ganância de muitos destes não tem limites.
Quantas conexões ocultas entre as cenas 1 e 2 correlacionando a qualidade da administração pública com os riscos de tragédias de toda ordem em uma sociedade!
Até a próxima.
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