domingo, 24 de abril de 2011

Ouro Preto, santuário cívico do Brasil

Nesta quinta feira 21 de abril, dia da comemoração anual de Tiradentes, Patrono Cívico do Brasil, duzentos e vinte e dois anos depois de participarem da Inconfidência Mineira, foram sepultados no Memorial, ao lado de outros treze inconfidentes, os restos mortais de José Resende Costa, Domingos Vidal Barbosa e João Dias da Mota, trazidos da África onde morreram no degredo.

Eu nasci no interior de Minas Gerais onde vivi até os 12 anos de idade. Em 1968 mudamos para Belo Horizonte, onde morei por quatro anos antes de deixar Minas para conhecer o mundo. Como todo “mineiro da gema”, li o Grande Sertão : Veredas de João Guimarães Rosa e participei de peças de teatro no Clube Social onde declamei poesias dos Inconfidentes. Uma das que mais gostava era “À Dona Bárbara Heliodora” de Inácio José de Alvarenga Peixoto, poeta e politico nascido no Rio de Janeiro em 1744, preso na Ilha das Cobras em 1789, onde escreveu este belo poema para sua esposa:
“Bárbara bela, do Norte estrela,
Que o meu destino Sabes guiar,
De ti ausente Triste somente
As horas passo A suspirar.”

Gostava também de recitar Tomás Antônio Gonzaga, jurista, poeta e ativista político luso-brasileiro. Apaixonado por Maria Dorotéia Joaquina de Seixas, escreveu para sua amada o poema “Marília de Dirceu”.
“Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheiro gado;
De tosco trato, d´expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!”

Minas são muitas, e Ouro Preto é o santuário cívico do Brasil.

Ainda se comentava pelas ruelas de Vila Rica o ato heroico perpetrado pelo fazendeiro e tropeiro Felipe dos Santos Freire em 1720 contra a Coroa Portuguesa pela cobrança extorsiva de impostos e o controle violento do ciclo de extração e transporte do ouro retirado das minas gerais.

Na Europa, a Revolução Francesa com seus ideais de “liberdade, igualdade e fraternidade”, transformaria definitivamente as estruturas do poder político do ocidente.   Nos Estados Unidos da América, a Declaração de Independência das 13 Colônias redigida por Thomas Jefferson em 1776, faria disparar os primeiros tiros da guerra vencida contra a Inglaterra em 1783, com a ajuda da França e da Espanha.

Na Vila Rica de Ouro Preto, também inspirados nos mais nobres ideais de justiça e liberdade, os vinte e quatro inconfidentes liderados pelo Alferes Tiradentes em 1789, acabaram mortos, presos ou degredados na África pela Coroa Portuguesa, depois da traição de Joaquim Silvério dos Reis.

Mas os exemplos deixados por eles perduram até hoje no coração de Minas e do Brasil!

Até a próxima.

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