domingo, 15 de maio de 2011

Caminhos para o futuro

Na obra Admirável Mundo Novo de 1932, Aldous Huxley descreve uma sociedade fictícia de um mundo futurista e sombrio onde os seres humanos são gerados em tubos de ensaio e condicionados para obedecerem padrões de uma vida mecanizada, deixando ao selvagem a alternativa: viver a utopia ou permanecer no primitivismo.

Pois bem, esta encruzilhada da ficção pode tornar-se realidade. Cerca de 1,6 bilhão de pessoas ainda vivem sem energia elétrica. Ontem, o cantor Michel Martelly tomou posse como o 56º presidente do Haiti sob um apagão, precisando das luzes dos fotógrafos para assinar o termo da posse. Caso estes novos consumidores fossem atendidos a partir de uma rede elétrica alimentada por carvão, gás natural ou petróleo, a poluição e as alterações climáticas seriam devastadoras para o planeta.

Não é mais possível sustentar o crescimento econômico com base nos combustíveis fósseis - os mesmos utilizados desde a Revolução Industrial do século XVIII - assim a raça humana tem que buscar alternativas. Países do primeiro mundo, como Estados Unidos, Alemanha e Japão, já há algum tempo não aceitam mais indústrias altamente poluentes como mineração, petróleo e siderurgia em seus territórios, e vêm empurrando estas usinas para países como o Brasil, China, Índia, Rússia e Turquia.

Nesta nova Era da Energia e do Clima, o verde é um valor que precisa ser cada vez mais preservado. Só que uma revolução verde está longe de acontecer represada pelos gigantescos interesses econômicos em disputa e pelo eficiente lobby das corporações beneficiadas que são mais poderosas do que muitos estados nacionais.

No caminho para o futuro, uma cruzada contra os combustíveis fósseis e a favor da energia limpa e renovável é a melhor alternativa. O barco MS Turanor, concebido pelo jovem suíço Raphael Domjan no projeto Planetsolar, completa metade de sua viagem de volta ao mundo aportando em Noumea na Nova Caledônia. www.planetsolar.org Construído em Kiel na Alemanha, em 27 de setembro do ano passado este catamarã silencioso e não poluente, iniciou sua viagem no porto de Monte Carlo usando apenas a energia solar como fonte de energia para a propulsão dos seus dois motores.

Na hipótese da vida ficar inviabilizada em nosso planeta, temos a alternativa rumo ao espaço.  Um projeto da NASA http://mars.jpl.nasa.gov/odyssey/index.cfm em estágio avançado, faz da colonização da Lua, ponto de apoio para a exploração de Marte, o planeta vermelho. A fase de preparação iniciou-se há cinquenta anos com os módulos experimentais na Antárctica.

Até 2018, será instalada a base de pesquisa científica em “Oceanus Procellarum” no solo lunar, pois apresenta facilidade de comunicação contínua com a terra, é plano e tem poucas pedras, o que ajuda na instalação das estufas climatizadas a serem preenchidas com plantas terrestres.

Em 2023 esta base lunar será colonizada pelos humanos e terá início a instalação de estufas em solo marciano. Enquanto a viagem da Terra à Lua leva três dias, a viagem a Marte levará seis meses.

Pelos dólares alocados nos projetos de colonização e exploração espacial comparados com os dólares disponíveis para o desenvolvimento da energia limpa e renovável, que preservaria a qualidade de vida no planeta e atenderia à demanda por energia elétrica do povo do Haiti e dos 1,6 bilhão de pessoas sem este recurso no mundo, podemos inferir que as nações e corporações líderes preferem a alternativa rumo a Marte. Espero que neste futuro, as colônias de estufas cooperem entre si, evitando conflitos artificiais que alimentariam nova indústria de armas, destruição, poluição e a necessidade de migrar rumo a Júpiter.

Até a próxima. 

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