Os filósofos gregos e os escolásticos acreditavam que as coisas existem simplesmente porque precisam existir.
René Descartes (1596-1650), o primeiro pensador moderno, institui a dúvida: só existe o que pode ser provado. Penso, logo existo! Sustentado em evidências objetivas, deixa-nos seu método cartesiano com quatro etapas – 1. verificar as evidências; 2. analisar em unidades simples; 3. sintetizar as unidades estudadas e; 4. enumerar todas as conclusões e princípios utilizados para manter a ordem do pensamento - que passa a ser a base da matemática moderna.
No Brasil do século 21, ainda temos baixíssima taxa de inovação e produção de conhecimento, um dos fatores críticos de sucesso e de sustentabilidade de uma economia moderna candidata à quinta posição no ranking das maiores do mundo global.
Na Academia, entre as duzentas melhores Universidades, não temos nenhuma brasileira. Nestas bandas, nunca demos a devida importância ao método científico, aos conceitos, teorias, metodologias e planejamento. Há uma preferência nacional pelas emoções do improviso.
Enquanto os países desenvolvidos e emergentes não param de inovar, faltam pensadores, planejadores, estrategistas e conselheiros no Brasil, assim como faltam engenheiros, gerentes de projetos, arquitetos de sistemas, médicos pediatras, entre outros.
O conceito de planejamento estratégico aplicado a países, setores da economia e corporações vem sendo adotado e evoluído como método científico, caracterização de escolas do pensamento e formulação estratégica e análises heurísticas sobre os processos de implementação da estratégia desde a década de 1960. No governo Kennedy, seu secretário de Defesa, Robert (Bob) McNamara aplicou conceitos e implementou o planejamento estratégico.
Mas foi o canadense Henry Mintzberg, Ph.D. e professor do M.I.T. que criou a base metodológica para o pensamento estratégico, classificando-os em 1998 em dez escolas de estratégia.
Em 2005, os professores de Harvard, Robert Kaplan e Dave Norton propuseram em artigo a criação de um “escritório de gestão da estratégia”, poderosa ideia que vem prosperando rapidamente no mundo desenvolvido.
De acordo com André Coutinho e Saulo Bonassi em “O Ativista da Estratégia” lançado esta semana pela Campus, “é necessário uma ponte entre dois mundos aparentemente distantes, o da arte de criar estratégias e da ciência de leva-las à efetiva implementação”. Neste livro cocriado com 26 executivos brasileiros, eles ressaltam a importância do papel do Ativista da Estratégia e do escritório de gestão da estratégia.
Em um país que dá pouca importância ao método, se não ocorrer uma transformação profunda nas estruturas de governança e gestão das empresas e das instituições públicas, infelizmente é baixa a probabilidade de adoção das experiências bem sucedidas com a criação dos escritórios de gestão da estratégia nos outros países.
Tomemos como exemplo o caso dos profissionais que trabalham com gerência de projetos. O renomado instituto internacional PMI – Project Management Institute coloca à disposição dos interessados, empresas, ongs e governos, padrões, boas práticas, formação e certificação de profissionais além de incentivar a instalação do escritório de gestão de projetos. E o que vemos em nosso país, que tem um déficit gigantesco de infraestrutura? Letargia e indiferença na aplicação sistemática das melhores práticas e de ferramentas analíticas poderosas para este fim.
Conclamamos aos profissionais e organizações a atribuirem mais importância ao método, ao planejamento, à estratégia e à gestão, preparando-se para serem verdadeiros agentes da transformação da Sociedade brasileira em sintonia com as melhores nações em respeito e qualidade de vida no século 21.
Até a próxima.
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