domingo, 5 de junho de 2011

É a gestão, estúpidos!

Seria cômico, se não fosse trágico. Rezemos para que Peter Ferdinand Drucker, o austríaco gênio da administração moderna, venha nos socorrer. Faltando apenas três anos para a abertura do que será a vitrine do mundo, assistimos ao bate-cabeças das organizações e dos agentes responsáveis pela preparação do país para a Copa do Mundo de 2014.

Esta incapacidade em gerenciar eventos complexos e seus respectivos empreendimentos como a construção dos estádios, aeroportos, transportes públicos, hotéis, centros de convenção, centros de imprensa, segurança pública e usinas de geração de energia para as doze cidades-sede, pode expor nesta vitrine improviso, incompetência e malversações.

E a questão não é restrita à realização da Copa do Mundo em si. É também sobre o legado que este evento deixará para o país, quanto será capitalizado para a melhoria da qualidade de vida dos brasileiros comuns, para o aumento da competitividade dos produtos e serviços das empresas brasileiras, ou mesmo como administrar os estádios-arena e os aeroportos no pós-copa e manter os novos hotéis com níveis de ocupação satisfatórios.

No mundo globalizado, a capacidade competitiva é cada vez mais dependente dos trabalhadores do conhecimento, dos modelos de gestão e das equipes de alto desempenho. Um dos papéis mais importantes do gestor é desenvolver o potencial de cada indivíduo e das equipes transformando-os em trabalho produtivo e integrado na busca do bem comum e do desenvolvimento sustentável, este princípio que deve nortear as relações entre Estado, empresas, organizações sem fins lucrativos, indivíduos e sociedade.

Na hipótese de que todos os agentes políticos e técnicos, públicos e privados tenham o desejo genuíno de cumprir sua missão com irrepreensível correção moral em busca do bem-comum, deveriam preparar-se melhor para as formulações estratégicas, a definição dos modelos de gestão, a elaboração de planos de comunicação, a escolha e aplicação de ferramentas de apoio à decisão e a integração colaborativa entre as diversas organizações e indivíduos envolvidos. Isto é gestão.

Gestão aprende-se na escola e através das boas práticas. A principal causa-raiz desta deficiência nacional encontra-se na baixa qualidade do sistema educacional, do baixo investimento e da ineficácia dos programas de desenvolvimento gerenciais. Onde se ensina profissionais, organizações e governos a lidar com altos graus de complexidade, incorporando-os em seus planos estratégicos? Onde se planeja para confrontar riscos antes que se transformem em crises?

A solução está na melhoria dramática da educação, treinamento e desenvolvimento gerencial e organizacional com investimentos inteligentes em metodologias, sistemas analíticos e de otimização, escritórios de estratégia e de gerência de programas e projetos, análise e mitigação de riscos e prevenção de crises.

A frase parafraseada do ex-presidente Bill Clinton durante a campanha de 1992 quando disse para um assessor, "It's the economy, stupid!" pareceu-me bem apropriada para a analogia.

Cerca de cinco bilhões de pessoas assistirão aos jogos da Copa do Mundo. Que imagem de fora dos estádios vamos apresentar ao mundo? Quando os holofotes do Maracanã se apagarem na noite de 11 de Julho de 2014 direcionando-se para a Rússia-2018, esperamos que o mundo esteja maravilhado com as belezas naturais do Brasil, com nossos programas de sustentabilidade e com a capacidade de superação dos brasileiros.

Até a próxima.

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